No primeiro jogo do mata-mata da Copa da Rússia, a seleção brasileira passou sem precisar ir aos pênaltis, o que foi positivo para o coração de milhares de torcedores. Mas a possibilidade ainda existe nesta sexta-feira, contra a Bélgica, e em outros dois jogos, caso continue vencendo.
"Jogos de Copa do Mundo estão associados ao aumento da ocorrência de IAM [infarto agudo do miocárdio] entre brasileiros, que varia entre 4% e 8%", diz um estudo USP (Universidade de São Paulo) de Ribeirão Preto, divulgado em 2014, com dados coletados entre 1998 e 2010.
Na Inglaterra, diversos torcedores relataram que seus relógios inteligentes registraram mais de 120 batimentos cardíacos por minuto durante a cobrança dos pênaltis contra a Colômbia, na terça-feira.
"Grandes emoções podem causar aumento da frequência cardíaca e pressão arterial e até em casos especiais desencadear um infarto ou um AVC [acidente vascular cerebral]", observa o presidente do Incor (Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP), professor doutor Roberto Kalil Filho.
No campo, o técnico colombiano, José Pékerman, de 69 anos, cobriu os olhos na hora dos pênaltis, demonstrando claro nervosismo. Diante das imagens, o presidente da Fundação Cardiológica Argentina, Jorge Eduardo Tartaglione, chegou a sugerir em entrevista ao jornal Clarín que fossem extintas as definições por pênaltis "pelo alto risco de infarto".
Cheers for the free workout last night @England - heart rate above 100bpm the entire game ???? pic.twitter.com/RvqXXqiBCu — Alex Riley (@alxrily) 4 de julho de 2018
O coordenador do Centro de Treinamento da SBC (Sociedade Brasileira de Cardiologia), Sergio Timerman, acrescenta que o aumento dos batimentos cardíacos devido ao estresse emocional não é o mesmo de uma atividade física e, portanto, não deve ser prolongado. "Para quem tem uma obstrução [de artéria], isso pode causar um infarto e até morte súbita", observa.
O principal problema na opinião dele, é que milhões de brasileiros nem sequer sabem que têm problemas cardiovasculares. "É uma doença silenciosa", diz.
O cardiologista Francisco Helfenstein, professor da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), explica que pessoas que já tenham sido diagnosticadas com problemas cardíacos devem evitar momentos cruciais da partida, caso se envolvam demais com o jogo.
"As recomendações universalmente são de que pacientes que tiveram um infarto recente, ou um AVC, pessoas que não têm a pressão sob controle ou que estejam com suspeita de problemas cardiovasculares e uma situação cardiológica ainda não esclarecida não assistam a uma partida mais disputada", diz.
Pesquisadores britânicos estudaram a incidência de infarto agudo do miocárdio durante a partida em que a Inglaterra perdeu nos pênaltis para a Argentina na Copa da França, em 1998.
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"Análises individuais do dia e dos dois dias após o jogo mostraram 55 internações extras por infarto do miocárdio em comparação com o número esperado", relataram o os médicos, que analisaram dados de entradas dos hospitais ingleses.
Outra pesquisa, publicada no New England Journal of Medicine, analisou internações em Munique durante a Copa da Alemanha, em 2006, e concluiu que "ver um jogo de futebol estressante mais que dobra o risco de um evento cardiovascular agudo".
Um comentarista da TV egípcia passou mal e morreu depois da transmissão da partida Egito x Arábia Saudita, no dia 26. Ele sofreu um ataque cardíaco.
O astro do futebol argentino Diego Maradona, nem precisou de disputa nos pênaltis para que a emoção chegasse ao limite. Passou mal após a partida decisiva contra Nigéria — que garantiu a passagem do time para as oitavas de final — e foi levado a um hospital.
A informação divulgada foi de que ele teve uma queda brusca de pressão. Nas imagens da televisão, o ex-jogador era visto vibrando intensamente a cada movimento no campo.