O não comparecimento a consultas, exames e em cirurgias agendadas no Hospital Universitário (HU), de Canoas, sem aviso prévio, além de causar um impasse no atendimento ou tratamento do próprio paciente, gera transtornos administrativos e financeiros à instituição, além de privar outras pessoas de atendimento, deixando de reduzir a fila de espera.
As razões do absenteísmo são multifatoriais. Alguns deixam de comparecer por esquecimento. Outros solicitam o atendimento e depois não comparecem, sem dar explicações. A alta taxa de abstenção não apenas representa desperdício de recursos públicos, mas também impacta negativamente nas pessoas que precisam de cuidados e assistência.
O coordenador de Enfermagem Ambulatorial e do Setor de Agendamentos Clínicos do HU, Valdemir Arruda de Lima, disse que o absenteísmo nas consultas, em todas as especialidades, é um dos maiores problemas enfrentados pela instituição. "É o nosso maior gargalo. De janeiro a maio, de 13.931 consultas agendadas, 3.839 não foram realizadas, o que representa uma taxa de 28% de absenteísmo. É um percentual expressivo para o período. As pessoas confirmam de vir na consulta, mas não comparecem. Se o paciente não confirma, volta para a fila e colocamos outro no seu lugar”, explicou.
Somente no mês de junho, na especialidade de Traumatologia, cuja fila de espera é extensa, de 700 consultas confirmadas, 300 não compareceram. Segundo ele, o quadro não é pior porque as equipes clínicas e hospitalares realizam força-tarefa, como a que ocorreu em 13 de junho. Na ocasião, 12 pacientes que aguardavam para a realização de cirurgia de hérnia foram chamados e confirmaram presença, mas apenas seis compareceram.
"Se um paciente confirma a consulta e não comparece para o atendimento, além de tirar a vaga de outra pessoa, contribui para o desperdício de recursos, já que o horário em que o paciente deveria estar em atendimento, fica ocioso. É um dinheiro que está sendo investido e que não está sendo utilizado para o fim que deveria", observou.
Quanto aos procedimentos cirúrgicos, em cinco meses, das 1.168 cirurgias agendadas, 27 não foram realizadas por falta de comparecimento, com 2,31% de abstenção. É considerado um número baixo, mas segue atrapalhando a engrenagem hospitalar. Por atender 153 municípios gaúchos, a rede de saúde canoense funciona com um sistema de cotas. "Quando disponibilizamos nossas consultas ao Estado, as mesmas são divididas entre as cidades. Cada município tem uma quantidade de consulta com especialistas por mês.
E cada município faz sua gestão. Às vezes, a cidade é contemplada com duas vagas para determinada especialidade no mês. E o paciente que não vai, acaba tirando por 30 dias a chance de alguém que realmente precisa da consulta de comparecer.
Atualização cadastral
Para tentar reduzir as abstenções, o HU vem adotando medidas e intensificando ações internas, que incluem a atualização cadastral. Outra iniciativa envolve, especialmente, os mutirões realizados aos finais de semana, facilitando o acesso à rede de saúde, oferecendo horários alternativos de atendimento.
Além disso, a Associação Saúde e Movimento (ASM), gestora do HU, deu início a uma campanha para chamar atenção da população, das prefeituras e de entidades que possam auxiliar a conscientizar o cidadão sobre a importância de ele comparecer às consultas agendadas e confirmadas.
"Se por algum motivo ele não vai conseguir vir, o paciente deve entrar em contato com o hospital, por telefone ou e-mail, e informar que não vai comparecer. Não é por ser um atendimento custeado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que não vai ter consequência."
O contato pode ser feito pelo Núcleo Interno de Regulação (NIR) através do telefone (51) 3112-8791 ou pelo e-mail contato.nir@hucanoas.com das 8h às 17h30, de segunda à sexta-feira.