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CHEGA DE CALOTE: educadores protestam por respeito e dignidade na pandemia

Foto : CPERS / DIvulgação

APEDIDO

GOVERNADOR, ESCUTE QUEM EDUCA.

DEVOLVA NOSSOS SALÁRIOS JÁ!

CHEGA DE CALOTE!

GOVERNADOR, ESCUTE QUEM EDUCA.

Eduardo Leite (PSDB) foi eleito com a promessa de dialogar e valorizar quem trabalha no chão da escola. Assegurou que pagaria os salários em dia no primeiro ano de governo, vendeu a Reforma do Estado como solução e se colocou como um gestor moderno e inovador. O ano passou, os salários estão cada vez mais atrasados, escolas e turmas foram fechadas, e a vida dos trabalhadores(as) em educação só piorou.

Após sofrer o desgaste de uma greve histórica, o governador teve a chance de recomeçar. Pelo contrário, se aproveitou da pandemia para cortar direitos e reduzir ainda mais os salários de quem já estava no limite da subsistência, aliando-se a Bolsonaro na destruição dos serviços públicos. A cada ato, Leite revela mais da sua face vingativa, autoritária e insensível aos problemas da educação e da categoria.

O que experimentamos até aqui é um simulacro de diálogo. Uma relação unilateral, sem escuta, ignorando a realidade da escola pública. Prova disso é a construção dos protocolos de segurança para a volta às aulas presenciais, realizada a portas fechadas com empresários da rede privada, sem consultar educadores(as), pais e estudantes. São regras ditadas pela urgência em abrir as escolas e por agentes comprometidos com o lucro acima da vida.

É imperativo que Eduardo Leite abandone a intransigência, ponha um fim à escalada de ataques e demonstre alguma consideração por nossas vidas. Diálogo não é uma palavra vazia de significados. Pressupõe troca, deslocamento e negociação, não imposição. Governador, escute quem educa. Queremos respeito, salários justos e uma aposentadoria digna. Queremos viver, educar e trabalhar em paz.

CHEGA DE CALOTE! TRABALHO FEITO É SALÁRIO PAGO.

Desde dezembro, os educadores(as) amargam cortes mensais que chegam a 30% do salário. São mais de 27 mil castigados em razão da greve da categoria, apesar das aulas recuperadas sem prejuízo aos estudantes. Trata-se de uma punição injusta, calculada para frear futuras mobilizações e facilitar o desmonte da educação e a destruição da própria escola pública.

São pessoas que trabalharam e não estão recebendo pelo serviço prestado. Pessoas sem recursos para suprir necessidades básicas, comprar comida e pagar as contas. Pessoas já fragilizadas por seis anos de perdas salariais e quase cinco de atrasos e parcelamentos. Trabalhadores(as) no limite do estresse, que precisam lidar com despesas extras de saúde e, devido à recessão econômica, o sustento de familiares acossados pelo desemprego.

A despeito da conjuntura terrível, os grevistas honraram seu compromisso com os mais de 800 mil alunos que dependem da escola pública e concluíram o ano letivo, recuperando as aulas devidas. Se antes da pandemia a medida já era imoral, agora ecoa traços da política de morte de Bolsonaro. Reverter o corte de ponto é, neste momento, uma questão humanitária.

Não se trata de um gasto extra, mas de um recurso previsto no orçamento e que é nosso por direito. Nós sabemos: todos vivem tempos difíceis. Mas o que pedimos é o mínimo. Trabalho feito é salário pago. Governador, devolva os nossos salários!

EDUARDO LEITE: NOVAS FAÇANHAS, VELHAS PRÁTICAS

- Seis anos de salários congelados

- 54 meses de salários parcelados e atrasados

- Mais de ⅓ do poder de compra dos educadores corroído pela inflação

- Atraso recorde para quitar a folha

- Veto a reajustes salariais até 2022

- Mais de R$ 9 bilhões em isenções fiscais sem transparência

- R$ 40 milhões gastos em propaganda em 2019, quase o dobro de Sartori

- Desmonte, precarização e mercantilização da escola pública

REDUÇÃO DE ADICIONAL AMEAÇA ESVAZIAR ESCOLAS E AMPLIAR DESIGUALDADES

“Sou mãe, chefe de família, e agora? É com este valor que pago meu aluguel. Gasto 400 reais só de gasolina. Mesmo se eu for de ônibus, não vai dar”. O desabafo é da professora Silvana de Souza, que dá aulas no extremo sul da capital. Ela e seus colegas perderam cerca de R$ 800 no contracheque. De forma covarde, ciente da impossibilidade de mobilização na pandemia, Eduardo Leite reduziu os proventos de cerca de 70% dos trabalhadores(as) na ativa alterando critérios do adicional de Difícil Acesso.

Trata-se de um benefício que deveria incentivar educadores(as) a trabalhar em escolas nas periferias das grandes cidades, nas zonas rurais ou localizadas em regiões violentas e de trafegabilidade limitada. Com os novos critérios, apenas quatro escolas de toda a rede terão direito ao valor máximo, de R$ 1260. Antes, eram quase 300. O Sindicato ainda estuda alternativas para barrar o retrocesso e exige a revogação dos novos enquadramentos, respeito à representação sindical e a revisão dos critérios com a participação da categoria.

GOVERNO CONFISCA SALÁRIO DOS APOSENTADOS QUE GANHAM MENOS

“Eu me sinto verdadeiramente saqueada, o governo está nos tirando o sustento depois de uma vida contribuindo. Não dá pra entender.” A manifestação é da professora aposentada Carmem Demboski. Em abril, educadores(as) inativos que ganham pouco mais do que um salário mínimo voltaram a pagar, e pagar caro, pela Previdência. Muitos perderão o equivalente a um 13º inteiro ao ano graças às "reformas" propostas e aprovadas por Bolsonaro, Eduardo Leite e seus deputados.

O salário confiscado é, muitas vezes, o remédio do final do mês. Por meio do escritório do ex-ministro do STF Ayres Britto, o CPERS, em conjunto com outras entidades, ingressou com Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIn) para derrubar as novas alíquotas. Uma liminar favorável chegou a ser obtida, mas o governo operou sua suspensão. A luta segue na Justiça para reverter este desconto brutal que recai sobre os ombros de quem já trabalhou e contribuiu uma vida inteira para ter uma aposentadoria digna.

ESCOLAS FECHADAS, VIDAS PRESERVADAS

por Helenir Aguiar Schürer, presidente do CPERS/Sindicato

Fui, por oito anos, professora das séries iniciais. A escola tem uma característica marcante: é um espaço de afetos e relações pessoais. Pergunto: quem, nos protocolos de segurança, está pensando no lado emocional das crianças e dos adolescentes? Diferentemente de uma carteira ou cadeira, como fazer com que se mantenham numa distância segura?

Como explicar aos nossos pequenos que não poderão abraçar a professora ou a “tia da merenda”? Como fazê-los entender que o distanciamento é obrigatório? Como garantir que não compreendam o afastamento como rejeição? Quantos psicólogos teremos ao dispor da rede para cuidar dos aspectos afetivos dos nossos jovens e crianças? Como impedir que os pequenos se aproximem do colega, no recreio, para brincar?

Como mantê-los seguros na chegada da escola e ao sair? Quem fará a medição de temperatura? Como evitar o “ficar” dos jovens e adolescentes? Como será realizado o atendimento individual, tão precioso ao ensino-aprendizagem? Quem cuidará do restante da turma quando ela for dividida e o professor estiver em uma das salas?

Como abrir escolas antes do pico? Como, se nem sabemos quando será o pico? A escola é muito mais do que os seus objetos e espaços físicos. Escola é gente. É vida. Governador, escute quem educa. Nossas escolas não podem ser transformadas em bombas biológicas. Faltam testes, falta controle, falta segurança. Não falte com as nossas vidas.

GOVERNO CAUSA AGLOMERAÇÕES EM ESCOLAS NO AUGE DA PANDEMIA

Esta foto é de uma escola estadual na primeira semana de junho. No mesmo período, o RS registrava recordes de novos casos, mortes e ocupação de UTIs. Em um mês, a média de contágios diários triplicou. Por bom senso, e por força da Lei, a escola deveria estar fechada. Mas a realidade é outra em muitos estabelecimentos da rede.

Pais, estudantes e professores(as) fazem fila para entregar e coletar atividades. Funcionários(as) da limpeza e de outros setores trabalham diariamente, mesmo sem protocolos claros. O Estado pede que as escolas adquiram equipamentos de proteção e limpeza, mas não repassa a verba necessária. Os valores estão defasados e atrasados. Estamos em junho e os recursos de maio ainda não foram depositados.

As constantes mudanças de metodologia das aulas programadas são um vetor de crise e ansiedade. Educadores(as) tiram do próprio bolso para arcar com dados móveis e dar aulas. Mesmo sem salário e sem suporte, estamos trabalhando mais, atendendo a comunidade escolar a qualquer horário e usando equipamentos próprios. Nós fazemos a nossa parte. E o governador, quando fará a sua?

São tempos incertos. Mas temos uma certeza: não é hora de retornar. Não chegamos ao pico da pandemia e o consenso científico não mudou: isolamento social é a única forma de conter o avanço da Covid-19. O caminho para a normalidade será longo e árduo, mas passa pelo fechamento total das escolas. Não se trata de defender somente as nossas vidas. Mas as de todos os gaúchos(as).