O Setembro Verde é uma campanha fundamental para conscientizar a população sobre a doação de órgãos, um ato que salva milhares de vidas anualmente no Brasil. O Hospital Universitário (HU), de Canoas, gerido pela Associação Saúde em Movimento (ASM), reforça o papel crucial das instituições de saúde em incentivar o diálogo familiar, já que, pela legislação brasileira, a doação de órgãos somente acontece com autorização prévia dos familiares após a confirmação da morte encefálica.
Além disso, a centralização do processo pelo Sistema Nacional de Transplantes (SNT), do Ministério da Saúde, garante que a distribuição dos órgãos ocorra de forma justa, transparente e auditada, seguindo critérios estritamente médicos (como compatibilidade e ordem de prioridade na fila) para atender os pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). Todos os órgãos captados no HU acabam por contribuir para a redução da lista de espera.
A enfermeira e diretora assistencial da instituição, Janine Sulzbach, destaca que a importância da campanha está justamente na comunicação prévia, aos familiares, sobre a intenção de doar órgãos, em caso de morte cerebral. "É preciso comunicar em vida", orientou Janine. "A doação de órgãos precisa obrigatoriamente ter o aval da família. É importante frisar a importância do doador, em vida, mostrar o interesse em doar seus órgãos".
A enfermeira disse que, para ser doador, é preciso revelar, em vida, a intenção aos familiares. “Quando ocorre a morte encefálica, a equipe médica precisam da autorização dos familiares para a retirada dos órgãos”. Um único doador pode beneficiar até 27 pessoas por intermédio das doações de coração, pulmões, rins, pele, músculos, ossos e córneas. Além da doação por morte encefálica - quando todos os órgãos estão funcionando perfeitamente, mas sem atividade cerebral -, também é possível doar pulmão, rim e fígado em vida, obedecendo orientações médicas.
O HU tem uma parceria com a Organização de Procura de Órgãos (OPO) da Santa Casa de Porto Alegre, que é acionada sempre que uma família manifesta o interesse de doar os órgãos. "As equipes se deslocam até o HU, atuam nas questões burocrática e na captação dos órgãos dentro do bloco cirúrgico”, afirmou. A agilidade é fundamental entre a retirada, o deslocamento e o transplante. Para Janine, as negativas de doação estão vinculadas à desinformação.
“É preciso que compreendam que, se a morte cerebral for atestada, o paciente faleceu”, assinalou Janine, evidenciando a importância da doação de órgãos.
Segundo ela, os receptores dos órgãos captados são selecionados em uma lista de espera única, administrada pelo SUS. "Os que estão internados em unidades de terapia intensiva, recebendo medicação contínua, têm prioridade", frisou. Os casos graves são priorizados, desde que haja compatibilidade com o doador. "A doação de órgãos salva e prolonga a vida de muitas pessoas enfermas”, atestou a enfermeira.