"A obesidade é uma doença grave, crônica e incurável”, destaca o diretor técnico do Hospital Universitário (HU) de Canoas, o médico cirurgião bariátrico Fernando Farias, ao complementar que até o fim de maio o HU deve atingir a meta de 15 procedimentos realizados em 30 dias. A instituição de saúde planeja realizar um grande mutirão bariátrico ainda no primeiro semestre do ano com foco no acolhimento e no realinhamento dos pacientes dentro do processo pré-operatório multidisciplinar, tentando identificar em qual estágio se encontra cada um deles para dar seguimento às intervenções.
Segundo Fernando Farias, uma pessoa procura o serviço de cirurgia bariátrica quando possui comorbidades e peso. “Hoje, o cálculo para saber se um paciente é obeso é feito pelo Índice de Massa Corporal (IMC). O aceitável é um IMC entre 18 e 25. O paciente que atinge um índice de 40, por exemplo, é considerado um obeso mórbido. Um índice de 35 a 40, é um paciente que tem uma obesidade preocupante.” O especialista diz que o paciente em obesidade mórbida, com IMC acima de 40, opera pelo SUS mesmo sem comorbidades. Um com IMC abaixo disso, opera pelo SUS com as comorbidades. “Pressão alta, diabetes, gordura no fígado, apneia do sono, entre outros transtornos que impactam e causam riscos para saúde.” No HU são operados pacientes entre 18 e 64 anos. A maioria, mulheres.
A cirurgia bariátrica só acontece se houver o alinhamento de uma equipe multidisciplinar. “Um grupo formado por nutricionista, psicólogo, cardiologista, psiquiatra, cirurgião, fisioterapeuta, educador físico, além da enfermagem. Se não tiver essa constelação, é uma equipe que está fadada a não ter bons resultados. Cada especialidade solicita exames para entender aquele paciente.”
Sobre os resultados esperados, o especialista considera que isso varia de paciente para paciente. Neste contexto, profissionais da nutrição e da psicologia são extremamente importantes em todo o processo.
Métodos disponíveis
O diretor técnico do HU diz que existem dois métodos cirúrgicos disponíveis: o método restritivo e o método misto. “O restritivo é chamado de Sleeve. É um método em que se resseca uma parte do estômago, diminuindo o tamanho, reduzindo uma quantidade grande do volume. E existe o procedimento misto, que ele é restritivo e disabsortivo. Ou seja, ele reduz o estômago e afeta também a absorção, fazendo o desvio do intestino para intervir na desabsorção dos alimentos. Essa é uma técnica mista, também chamada de Bypass.” Este último método, a longo prazo, tem uma efetividade melhor, conforme Farias, e é o único que está disponível pelo SUS.
O cuidado pós-operatório também é uma etapa importante para o sucesso nos resultados, principalmente a reintrodução do alimento. Farias aponta que o reganho de peso é uma realidade e que o paciente tem que estar atento para não voltar a engordar. Para evitar que isso aconteça, além da prática de exercícios físicos com a supervisão de um profissional, é importante seguir uma dieta saudável, balanceada e equilibrada, rica em nutrientes, frutas, proteína, legumes e verduras. Nestes casos é primordial manter o acompanhamento médico constante.
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