O Setembro Amarelo coloca em evidência, todos os anos, a importância da prevenção do suicídio e busca combater o estigma em torno dos transtornos mentais, além de ampliar o acesso à informação e ao tratamento. Além de comprometer a rotina e as relações de uma pessoa, os transtornos mentais podem dificultar o cuidado com outras condições de saúde e, em situações graves, colocar a vida do paciente e das pessoas ao redor dele em risco.
São esses casos mais extremos que chegam ao serviço de psiquiatria do Hospital Universitário de Canoas (HU), gerido pela Associação Saúde em Movimento (ASM), referência para tratamento e internação psiquiátrica, que são encaminhados pelas unidades de atendimento do Sistema Único de Saúde do Estado. Ao todo, são 12 leitos adultos e oito infanto-juvenis.
A realidade vivenciada no hospital reforça a importância de reconhecer sinais de sofrimento e buscar atendimento antes que o quadro evolua para uma situação de crise. Segundo o chefe do serviço de psiquiatria do HU, médico Manoel Garcia Júnior, os pacientes atendidos ali sofrem de condições que exigem que sejam retirados temporariamente de seu ambiente e recebam acompanhamento intensivo para garantir a própria segurança e a de outras pessoas.
Durante a internação no HU, o paciente recebe tratamento medicamentoso, acompanhamento psiquiátrico e atendimento de uma equipe multiprofissional. “O psiquiatra é uma parte do processo. Mas não é o processo todo”, diz.
O grupo conta com médicos, psicóloga, educador físico, assistente social, nutricionista, enfermeiros e técnicos de enfermagem. O serviço também oferece orientação espiritual, quando o paciente solicita.
A internação psiquiátrica, assim como a área da saúde mental, ainda é cercada por preconceitos, mas Manoel afirma que no HU, não são predominantes os casos onde há resistência das famílias. “Às vezes encontramos resistência, mas muito frequentemente é tão grave a situação que o familiar vem com um esgotamento tão grande, que a internação é um alívio”, afirma.
O psiquiatra revela que a internação deve durar o tempo de controlar a crise e preparar a família e a equipe para continuar ao tratamento. “Buscamos identificar como agir para estancarmos o processo”, disse.
Para isso, é feita uma articulação com outros serviços do hospital. Semanalmente, a equipe do HU realiza reuniões com os Centros de Atenção Psicossocial e outros serviços de saúde de Canoas para discutir os pacientes que chegam ao hospital e os que estão próximos da alta.
No primeiro semestre, foram cerca de 500 atendimentos deste tipo. O serviço também atende psicologia hospitalar, que proporciona suporte aos internados, aos familiares e aos funcionários.