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Casas temporárias trazem esperança

Governo do Estado entrega moradias às pessoas que perderam tudo nas enchentes

Casal de aposentados Salomão e Lurdes Costa passaram a virada do ano na casa nova
Casal de aposentados Salomão e Lurdes Costa passaram a virada do ano na casa nova Foto : Camila Cunha

Apesar de parecer o cenário de um filme de ficção científica com enredo pós-apocalíptico, a paisagem tomada por ruínas e vegetação se tornou a nova realidade da área em que morava Carlos Zambiasi, de 67 anos, no bairro Navegantes, em Arroio do Meio, Vale do Taquari. Nas ruas, o mato passou a ocupar o espaço que antes era transitado pela população e ficou praticamente inacessível.

Onde havia moradias, a paisagem praticamente se resume a escombros, que também começam a dividir espaço com a vegetação. Os telhados arrancados de residências de dois andares, que estão entre as poucas que se mantém de pé, ajudam dimensionar o nível atingido pelo Rio Taquari.

A dura realidade se repete em outras áreas da cidade e da região, após as recorrentes enchentes que atingiram o Vale do Taquari entre setembro de 2023 e maio de 2024, mudando completamente a vida de seus habitantes. Desde então, a habitação passou a ser um desafio para pessoas de todas as classes sociais, mas, principalmente, para aqueles mais fragilizados financeiramente.

“Graças a Deus e ao governo do Estado passamos a ter mais dignidade. Nosso sofrimento maior não foi causado pelo prejuízo deixado pela água, mas pela falta de apoio local, vivendo em abrigos que não tinham a mínima condição para um ser humano morar”, comenta Zambiasi, que foi um dos beneficiados da moradia temporária.

“Onde eu morava, no bairro Navegantes, não sobrou nada. Minha casa foi levada pela água. Este é um local temporário, mas é muito melhor do que onde nós estávamos. Agora nos resta apenas fechar os olhos e esquecer o que passou”, completa.

A área em que o idoso vive receberá, ao todo, 40 famílias, e fica localizada no bairro Medianeira, distante das regiões inundadas no município. Conforme a assistente social Cláudia Leidens, responsável por auxiliar a população com as questões habitacionais, todos os novos moradores já foram escolhidos, mas alguns ainda finalizam a mudança nos próximos dias. “Nós priorizamos aqueles que ainda estavam em abrigos e, depois, selecionamos outras pessoas que também estavam em lista de espera”, explica.

Entre aqueles que já se instalaram no local, assim como Zambiasi, está a atendente de padaria Janini Becker, de 22 anos, que também residia no bairro Navegantes. Ela divide o imóvel com três filhos pequenos e uma amiga. “A gente estava no aluguel social, mas chegamos a ficar três meses em abrigos. É bom termos o nosso canto agora. Antes vivíamos inseguros, porque a gente começava a se recuperar e a água levava embora”, justifica.

Casas temporárias trazem mais conforto e dignidade aos moradores | Foto: Camila Cunha

Na moradia ao lado, a dona de casa Neusa Maria Cipriano França, de 61 anos, também comemora o fato de ter um local seguro para viver com a filha. “Mesmo morando no segundo andar de um prédio, fomos atingidos todas as enchentes. Na última fomos resgatados no terceiro andar que já começava a alagar. Quando fiquei sabendo destas casas, me inscrevi e, graças a Deus, fui beneficiada. Era isso, pagar aluguel caro ou viver em abrigo”, relata.

Por conta de problemas de saúde, ela não consegue mais trabalhar e via com dificuldade o pagamento de aluguel. Agora, vive tranquila por saber que não terá mais este problema. “Aqui está tudo ótimo. As casinhas são boas e a vizinhança também. Além disso, só de pensar que vamos economizar o dinheiro que ia para o aluguel, já é uma maravilha”, conclui Neusa.

Casal de aposentados Salomão e Lurdes Costa passaram a virada do ano na casa nova | Foto: Camila Cunha

O casal de aposentados Salomão e Lurdes Costa, de 74 e 66 anos, fez a mudança ainda no dia 30 de dezembro e já pôde iniciar 2025 com a esperança renovada. “No dia que foi entregue, já viemos morar. Deus nos deu essa oportunidade e resolvemos aproveitar. Foi muito bom já poder passar o Ano-Novo em casa”, conta a mulher.

Antes de receber a moradia provisória, o casal estava morando com filhos. Agora, com companhia de uma neta, esperam deixar para trás o sofrimento vivido com as enchentes. “Viemos morar em Arroio do Meio há alguns anos e, infelizmente, aconteceu isso. Mas é na cidade que será o final da nossa vida. Já temos idade e o marido está debilitado para mudar, então vamos aguardar até receber a casa definitiva. De qualquer forma, só por ter o nosso canto com esta casa boa, já melhora bastante nossa vida”, finaliza Lurdes.

O que são moradias temporárias

As casas temporárias são feitas de módulos habitacionais transportáveis e que já chegam prontos para instalação. No local, são apenas colocadas sapatas de nivelamento para fixação das estruturas. As residências integram o programa “A Casa é Sua – Calamidade”, do governo do Estado.

Cada unidade possui 27 m² e é composta por dormitório, sala e cozinha conjugadas e banheiro, além de possuírem mobiliário sob medida e eletrodomésticos de linha branca. A estrutura de aço galvanizado e concreto ganhou elementos que garantem resistência e conforto para os moradores.

Em Arroio do Meio, a entrega das 40 moradias ocorreu no dia 30 de dezembro. Ao todo, o programa realizará a entrega de 500 módulos do mesmo modelo, com investimento de R$ 66,7 milhões do Estado. Até o momento, 332 moradias já foram entregues: além das 40 em Arroio do Meio, 80 em Encantado; 28 em Cruzeiro do Sul; 86 em Estrela; 48 em Triunfo; 20 em Rio Pardo; e 30 em São Jerônimo.

A destruição das residências dá um dimensão da devastação provocada pela enchente | Foto: Camila Cunha