130 Anos de Jornalismo

Campanhas em prol da sociedade

Por inúmeras vezes desde a sua fundação, a mobilização do jornal em prol de demandas coletivas resultou em melhorias importantes para a população do Rio Grande do Sul

A representatividade do Correio do Povo perante a sociedade gaúcha se estende além da credibilidade histórica dos conteúdos publicados. Por inúmeras vezes desde a sua fundação, a mobilização do jornal em prol de demandas coletivas resultou em melhorias importantes para a população do Rio Grande do Sul.

Cartão-postal de Porto Alegre

Um dos símbolos de Porto Alegre, o Monumento ao Expedicionário foi construído no Parque Farroupilha, após uma campanha lançada pelo Correio do Povo. A ideia de homenagear aos combatentes brasileiros na 2ª Guerra Mundial surgiu logo após o fim do conflito, em 1945.

O diretor do jornal na época, Breno Caldas, se mobilizou para que fosse construído uma espécie de “arco do triunfo” como uma reverência aos soldados da Força Expedicionária Brasileira (FEB) que haviam lutado contra o Eixo e retornam ao país, tipo de tributo que se repetia Brasil afora. Muitos destes “pracinhas” eram gaúchos.

Caldas liderou o movimento que gerou um concurso público para a elaboração de uma edificação que marcasse o fato. A manchete daquele 25 de maio foi “Lançada, ontem, pelo Correio do Povo em brilhante assembleia popular a campanha Pró-Monumento ao Expedicionário”.

Inauguração do monumento foi destaque da edição de 18 de junho de 1957 | Foto: Fabiano do Amaral / Reprodução / CP Memória

A notícia aprofundava: “O governo e o povo do Rio Grande do Sul, representados na memorável assembleia de ontem à noite hipotecaram seu irrestrito apoio moral e material à iniciativa do ‘Correio do Povo’ fazendo sua esta campanha de exaltação à FEB cujo clímax será a construção...”. No ato de lançamento da campanha, Caldas discursou “o monumento não deve apenas exaltar a glória militar da FEB, mas ser o símbolo de um Brasil, digno e livre, e do povo brasileiro, sempre unido contra a brutalidade e opressão”.

Integraram a comissão executiva pró-monumento, além de Breno Caldas, Alcides Gonzaga, Salathiel Soares de Barros e Alexandre Martins da Rosa, O concurso foi vencido pelo arquiteto e escultor pelotense Antônio Caringi – o mesmo criador da Estátua do Laçador.

O lançamento da pedra fundamental ocorreu em maio de 1946 e a construção foi concluída em 1957. O Correio do Povo mancheteou na edição de 18 de junho, dois dias depois das festividades: “Esplendor e civismo nas cerimônias inaugurais do Monumento ao Expedicionário do Brasil”.

Hospital Santo Antônio recebe "Pulmão de Aço" em 30 de abril de 1967, equipamento de ponta à época | Foto: CP Memória

Hospital da Criança

Na década de 1940, Porto Alegre se ressentia de locais especializados no atendimento pediátrico. Assim nasceu a ideia do Hospital da Criança Santo Antônio, encampada pelo CP e levada a termo pelo médico Décio Martins Costa.

O projeto arquitetônico, de 1944, é de autoria de Christiano de la Paix Gelbert, conhecido arquiteto que trabalhou na Prefeitura Municipal de Porto Alegre de 1925 a 1953. O local escolhido para a construção foi um terreno na Avenida Ceará, à época considerada de localização estratégica “na entrada da Capital”, o que facilitaria a chegada de pacientes do interior.

O prédio, com 9.950 m², foi inaugurado em 1953. No início, operou como um centro médico ambulatorial voltado a infecções, porém ao longo dos anos se tornou um hospital pediátrico de referência estadual.

Prédio original, na avenida Ceará, permanece em pé e existem planos para restauração | Foto: Fabiano do Amaral

Referência

A casa de saúde infantil manteve atividades no endereço até 2002, quando contava com 266 leitos e ofertava 45% dos atendimentos a crianças do interior. Incorporado à Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre neste ano, foi transferido para junto do complexo hospitalar da entidade no Centro Histórico. O atual Hospital da Criança Santo Antônio (HCSA) hoje é referência na região Sul e está abrigado em uma moderna estrutura física.

O prédio histórico no bairro São Geraldo resiste ao tempo. Mais que isso, é parte de uma projeto privado de revitalização do Quatro Distrito que inclui transformação da estrutura em complexo multiuso.

La Salle Pão dos Pobres

O apoio do CP às causas sociais e anseios da população contribuiu também para o surgimento do Pão dos Pobres. Em 20 de outubro de 1929 o jornal fez ampla cobertura fotográfica do Dia da Flor, liderada pela filha do presidente da República, Alzira Vargas. Na campanha, que envolveu "senhoritas da sociedade" porto-alegrense, eram distribuídas flores e recebidos donativos. Os 30 contos arrecadados permitiram a conclusão do edifício que ainda hoje abriga jovens de famílias carentes.

Campanha mobilizou a sociedade | Foto: Fabiano do Amaral / Reprodução / CP Memória