130 Anos de Jornalismo

Correio do Povo: Um patrimônio histórico-cultural da comunicação

Ao longo dos últimos 130 anos, os leitores gaúchos têm vivido o estado, o país e o mundo por meio das páginas do jornal

Registro da primeira redação, que ao longo das décadas, teve a presença de nomes importantes do jornalismo
Registro da primeira redação, que ao longo das décadas, teve a presença de nomes importantes do jornalismo Foto : CP Memória

Nestes 130 anos, não foram poucas as vezes em que os profissionais desta redação nascida de preceitos democráticos e entusiasta de uma república recém-instalada se valeram dos princípios eternizados na histórica capa de 1º de outubro de 1895. São milhões de páginas impressas desde então, sempre tendo o histórico editorial de apresentação à sociedade gaúcha como referência.

Aos leitores e colaboradores do Correio do Povo, tal orgulho não é novidade. A primeira de todas as capas está pelas paredes dos locais mais emblemáticos do icônico edifício Hudson, entre a Rua da Praia, a Caldas Júnior e a Sete de Setembro, no coração de Porto Alegre. Ela já foi evocada em diversos momentos de comemoração do CP, mas reverenciá-la segue indispensável.

Na atual sede, a redação recebeu centenas e centenas de jornalistas | Foto: Fabiano do Amaral / CP Memória

Investido do poder das palavras contidas naquele manifesto tão atual e necessário em época de informações falsas e notícias transitórias, nomes como Nestor Ericksen, Luiz Vergara, Mario Quintana, Flávio Alcaraz Gomes, entre tantos, escreveram em nossas páginas, transformando para sempre o jeito de fazer jornalismo neste Estado. O rádio só chegaria ao Rio Grande do Sul em 1924, e a TV, em 1959.

Consolidado como referência confiável de informação, o CP provocava corridas às bancas e suas matérias indissociáveis dos acalorados debates de mesas de bar. O mundo sem telefones, satélites e internet se comunicava na velocidade dos navios. No tempo do vapor, semanas inteiras distanciavam o leitor das informações vindas de outros continentes.

Nos anos derradeiros do século 19 e ainda nas primeiras décadas do século 20, era comum a aglomeração de pessoas no entorno da redação, pela expectativa das notícias que chegavam. Um quadro negro instalado na fachada da Rua da Praia atualizava a população dos acontecimentos, em prática que ficou conhecida como “placard”.

Redação se reinventou inúmeras vezes, mas compromisso firmado em 1º de outubro de 1895 é mantido até hoje pelos profissionais | Foto: Fabiano do Amaral

Diante do compromisso firmado na estreia, o CP se reinventou e cresceu. Durante as duas grandes guerras (1914-18 e 1939-45), as principais notícias chegavam aos jornais brasileiros por meio de telegramas, radiofotos, código Morse ou via aérea. E a redação fundada por Caldas Júnior acompanhou os saltos tecnológicos para benefício da informação.

O CP teve suas linhas telefônicas desde muito cedo, garantindo agilidade na apuração e na transmissão das reportagens. Era a mais ágil ferramenta em um período que precedeu a telefonia móvel e as ondas radiofônicas no Sul do Brasil. Uma sucursal no Rio de Janeiro, então capital federal, deixou os gaúchos mais próximos do centro do poder.

Não havia visita de um presidente brasileiro ao Estado sem passagem pelo CP. Palco de momentos importantes, o Salão Nobre, antessala da redação, exala história até hoje. Estes 130 anos de trabalho a serviço da informação proporcionaram um acervo único com milhares de imagens e textos preservados cuidadosamente. Hoje somos mais que um meio de comunicação, somos patrimônio histórico-cultural.

As grandes conquistas ou mesmo as memórias mais dolorosas guardam registro no CP. O gaúcho viu e viveu o Rio Grande do Sul, o Brasil e o mundo dos últimos 130 anos por meio das nossas páginas e do nosso site. Dos casos populares às decisões que mudaram rumos sociais e políticos, são diversas as reportagens que marcaram e ainda marcarão épocas e gerações. Tal dimensão amplia o compromisso atemporal definido em 1º de outubro de 1895. A trajetória até aqui nos dotou da credibilidade tão necessária para combater a propagação de fake news e para a boa condução de outras questões acerca da responsabilidade de informar que ainda estão por vir.