Especial

Acampamento em terra de viking: “o que nos move é criar um pedacinho do RS aqui na Noruega”

Sétima edição do Acampamento Farroupilha Mais ao Norte do Mundo reuniu cerca de 170 gaúchos que vivem na Europa

Em evento organizado pelos Vikings de Bombacha, gaúchos se reuniram na região de Oslo, na capital da Noruega
Em evento organizado pelos Vikings de Bombacha, gaúchos se reuniram na região de Oslo, na capital da Noruega Foto : Tamara Komatsu / Vikings de Bombacha / CP

“Não somos tradicionalistas de carteirinha e nunca tivemos a pretensão de formar um CTG (Centro de Tradições Gaúchas). O que nos move é criar um pedacinho do Rio Grande do Sul aqui na Noruega. No fim das contas, é sempre sobre saudade”. O sentimento do comunicador Herbert Meregali, um dos organizadores do Acampamento Farroupilha Mais ao Norte do Mundo, é o mesmo de muitos gaúchos que vivem longe do RS.

Mesmo estando a quilômetros de distância de “casa”, preservar a cultura do gaúcho é também uma forma de manter viva as tradições que aprenderam desde pequenos. Isso fez com que 16 amigos se reunissem em meados de setembro de 2020, em Oslo, na capital da Noruega. Meregali conta que tudo surgiu como um encontro casual de gaúchos que vivem longe do RS.

Entretanto, no último final de semana, a sétima edição do Acampamento Farroupilha Mais ao Norte do Mundo reuniu cerca de 170 gaúchos que vivem não apenas na Noruega, mas também em outros países da Europa. “São pessoas que vêm de diferentes cantos do planeta e compartilham do mesmo carinho, dos mesmos costumes e da mesma essência que deu origem ao movimento anos atrás”, afirmou.

O encontro acontece tradicionalmente no segundo final de semana de setembro, o que coincide sempre em datas próximas ao início da Semana Farroupilha no RS. Neste ano, ocorreu nos últimos dias 12 e 13. Para resguardar as tradições, o evento promove atividades culturais, como música, dança, chula, sapucay, rodas de chimarrão, churrasco e outras manifestações do cotidiano do gaúcho.

“O assado de fogo de chão talvez seja a imagem mais marcante, mas o Acampamento é muito mais do que churrasco. Mas, para nós, o mais importante acontece justamente entre uma atividade e outra: na conversa, na roda de mate, nas amizades que se fortalecem e nas histórias que são compartilhadas”, completou o organizador.

Saudades do pago

Meregali destaca que a saudade do RS é justamente o ponto de partida do encontro e o que motiva que pessoas, mesmo que de longe, se encontrem na Noruega para celebrar a tradição. “Há famílias e grupos de amigos que chegam a passar mais de dez horas na estrada para estarem conosco. Isso nos emociona bastante porque mostra que o acampamento deixou de ser apenas um encontro de quem mora perto”, celebrou.

Além de gaúchos que moram na Europa, muitos familiares destes superam os 11 mil quilômetros de distância entre o RS e a Noruega para participar do encontro e matar a saudade justamente em um momento de celebração das tradições junto aos “Vikings de Bombacha”, como é o nome do grupo que organiza o evento.

“Estamos a mais de 11 mil km do RS, mas algumas coisas simplesmente não ficam pelo caminho, mesmo do outro lado do mundo. Acho que o mais bonito é perceber que, ao nos reunirmos, acabamos resgatando um sentimento de pertencimento que muitas vezes fica adormecido quando estamos longe de casa. E, quando esse sentimento é compartilhado, ele fica ainda mais presente”, ressaltou.

Relação com os “vikings”

Meregali conta ainda que o encontro com dezenas de forasteiros pilchados acaba levantando a curiosidade dos noruegueses. Entretanto, a semelhança em algumas tradições e o amor pelas tradições acaba por conectar os gaúchos com o povo local. “A Noruega é um país que sabe preservar muito bem suas origens, seu orgulho e sua história.Os noruegueses se sentem muito à vontade conosco porque reconhecem que estamos ali celebrando nossos costumes e nossa essência”, contou.

Ele brinca ainda que o que mais chama a atenção dos “vikings” durante a realização do Acampamento Farroupilha Mais ao Norte do Mundo é o fogo de chão, além do chimarrão e da pilha. “Tê-los por perto, compartilhando um pouco do carinho e do orgulho que temos da nossa terra, também é muito especial”, concluiu Meregali.