Especial

Após missão dada por Paixão Côrtes, paranaense dá volta ao mundo com a chama crioula

Tradicionalista já percorreu mais de 10 países para difundir cultura gaúcha pelo planeta

Tradicionalista Rui da Cunha Machado (no centro, segurando painéis de acrílico da missão) durante visita em países nórdicos
Tradicionalista Rui da Cunha Machado (no centro, segurando painéis de acrílico da missão) durante visita em países nórdicos Foto : Rui da Cunha Machado / Arquivo Pessoal / CP

Desde o ano passado, o tradicionalista Rui da Cunha Machado, patrão honorário do Centro de Tradições Gaúchas (CTG) Rancho Crioulo, de Francisco Beltrão, no Paraná, deixou o Oeste Paranaense para concretizar um pedido feito pelo próprio Paixão Côrtes. “Em 2014, buscamos a centelha diretamente das mãos dele e o Paixão nos pediu para sermos mensageiros dessa tradição e que a chama crioula viaje o Brasil e o mundo para a nossa cultura não morrer”, recordou.

Essa convocação feita por um dos pioneiros do tradicionalismo gaúcho já levou Machado a percorrer ao mais de 10 países nessa jornada de volta ao mundo com a Chama Crioula. Desde então, a centelha já passou por Argentina, Uruguai, Portugal, Espanha, França, Irlanda, Noruega, Dinamarca, Alemanha, Itália, Grécia, Canadá e Estados Unidos.

“A cultura gaúcha não termina nas fronteiras do RS. Onde existe um gaúcho disposto a preservar a sua história, onde uma família ensina aos filhos sobre as tradições, onde se prepara um chimarrão, onde se canta uma música, veste-se uma pilcha ou se reúne a comunidade, ali existe um pedaço do Rio Grande do Sul. Vi pessoas que nasceram longe do RS descobrirem nossas tradições e passarem a respeitá-las e vivê-las”, considerou.

Após uma passagem pelos EUA, onde participa de outras celebrações da Semana Farroupilha e do 20 de Setembro, o tradicionalista retornará ao Brasil. A previsão é retomar a jornada de volta ao mundo com a Chama Crioula já no início de 2027. Entre fevereiro e março, Machado pretendia viajar para países da Ásia, da África e da Oceania, completando as viagens pelos cinco continentes.

Mesmo sendo cônsul-itinerante do Grêmio, Machado destaca que o esporte também faz parte da cultura do RS. Por isso, faz questão de levar bandeiras e camisetas do Grêmio e do Internacional durante sua jornada. Em alguns locais, um clássico Gre-Nal com atletas pilchados com bombachas é disputado, para marcar também a união em prol da cultura gaúcha.

“Paixão Côrtes nos confiou esta missão. Hoje, cada comunidade por onde passamos carregando a Chama Crioula também passa a fazer parte dessa missão. Que essa centelha continue viajando, encontrando novos caminhos e lembrando a todos que enquanto houver alguém disposto a manter viva a nossa cultura, a tradição gaúcha continuará acesa”, completou o tradicionalista.

CP acompanhou pedido de Paixão

As páginas do Correio do Povo de 13 de setembro de 2014 noticiavam: “Chama Crioula segue para o Paraná”. Naquele momento, além da centelha física, uma fagulha começou a tomar conta dos tradicionalistas do CTG Rancho Crioulo, de Francisco Beltrão, que percorreram mais de 600 quilômetros até Porto Alegre para receber a honraria diretamente das mãos de Paixão Côrtes, na época com 87 anos.

A chama, denominada de Chama Crioula Paixão Côrtes, tem desde então o objetivo de espalhar a cultura pelo país e pelo mundo. O folclorista também pediu que o grupo a conserve em um local permanente, o que motivou a construção de um pórtico no terreno do CTG, onde a chama fica acesa e exposta ao público.

Na ocasião, Paixão Côrtes destacou que já haviam mais de 4 mil entidades no mundo ligadas à tradição gaúcha, com cerca de 8 milhões de pessoas envolvidas no tema. “Eles têm uma responsabilidade muito grande de levar a tradição para outras regiões. (A chama) Queima todas as divergências, como econômicas e raça, por exemplo, por uma causa maior: a paz”, garantiu em 2014 o folclorista, que faleceu quatro anos depois.

Páginas do Correio do Povo em setembro de 2014 noticiaram o pedido de Paixão Côrtes para levar chama crioula para outras regiões | Foto: Reprodução / CP