CAPÍTULO 7 – OPÇÕES LIMITADAS
Manter o modelo atual significaria, com o tempo, excluir Grêmio e Inter de forma definitiva das brigas por títulos importantes. A alternativa mais conservadora — inspirada no exemplo do Flamengo — é manter o clube como associação civil, mas com um rígido controle financeiro, baixos investimentos e aposta total em organização, planejamento e eficiência pelo menos até quitar ou amortizar a maior parte da dívida. O risco, nesse caso, é óbvio: rebaixamentos, pressão popular e a sensação de estagnação.
Confira o especial completo "Acabou a grandeza?"
O Grêmio, inclusive, conseguiu seguir esse caminho por um tempo com sucesso e títulos. Durante a gestão Romildo Bolzan Jr. (2014–2022), o clube apresentou superávits sucessivos, reduziu o endividamento e apostou fortemente nas categorias de base. Colheu resultados: foi campeão da Copa do Brasil (2016) e da Libertadores (2017).
“Quase liquidamos a dívida e tivemos uma gestão equilibrada entre 2015 e 2021. Mas, aí, caímos. E isso nos atrapalhou muito. Estávamos próximos de repetir o processo do Flamengo, mas o rebaixamento nos tirou do trilho”, lamenta o ex-presidente.
O Inter também viveu um apogeu, mas está mais distante no tempo. A partir de 2005, sustentado por um quadro social robusto e receitas relevantes com a venda de jogadores, construiu grandes times e empilhou títulos, iniciando um ciclo virtuoso que se estendeu por quase uma década. Mas não conseguiu manter o padrão devido a erros na gestão, brigas políticas e até um escândalo que abalou a imagem da instituição e levou alguns ex-dirigentes, entre eles o presidente Vitorio Piffero, a serem condenados na justiça por vários crimes, entre os quais estelionato e organização criminosa.
“Não existe milagre. É preciso gestão responsável, redução de dívidas e cumprimento de compromissos. Vai demorar. Mas, se tentar resolver tudo de imediato, o clube vai acabar tomando decisões erradas. É preciso ser realista”, alerta Fernando Carvalho, ex-presidente colorado.
Para ele, os clubes gaúchos podem voltar a competir em alto nível, desde que invistam com responsabilidade, revelem jogadores e saibam explorar sua torcida. “É mais difícil, claro. Precisa errar menos que os gigantes. Mas é possível.”