O gentílico, palavra que indica origem de uma pessoa, de quem nasce no Rio Grande do Sul é rio-grandense. Para muitos, antes de uma questão geográfica, ser gaúcho é uma escolha a partir de um modo de vida ou espírito de quem está diretamente ligado às tradições pampeanas. Não precisa ser rio-grandense para ser gaúcho. E essa foi justamente a escolha feita pelo produtor rural David Carvalho.
Nascido em Aveiro, no Norte de Portugal, ele veio para Porto Alegre ainda com 14 anos, em 1967. Na época, essa era a idade limite para sair do país de nascimento em busca de novas oportunidades. Como já possuía familiares na Capital, veio com os pais para o RS. Quem o conhece atualmente talvez nem imagine suas origens, muito em função de seu sotaque, quase como o de um “gaúcho da fronteira”.
“Na época, por causa do exército, não podia sair de lá depois de fazer uma certa idade. Também não existiam essas coisas de bullying, mas a turma da escola fazia aquela brincadeira com o meu sotaque de português. Daí acabei aos poucos perdendo o sotaque e aprendendo o daqui”, brincou. O amor pela cultura pampeana e gaúcha foi tanto que Carvalho passou a trabalhar com a criação de equinos e ovinos no Lami, no Extremo Sul de Porto Alegre.
Culturas parecidas
David Carvalho acredita que a fácil adaptação e o gosto pela cultural local ocorreu principalmente por semelhanças com as tradições portuguesas. Entre elas, ele destaca a música local e a forma como as comunidades se reúnem e festejam essas tradições, principalmente.
“Portugal tem muita semelhança com o povo gaúcho. Os instrumentos musicais que usam são muito parecidos e os bailes daqui também lembram muito da cultura portuguesa. Por isso sempre tive gosto pela cultura do gaúcho, mas principalmente pelo churrasco que é algo que não tem lá”, disse.
Ele recorda que, logo que chegou ao Brasil, já foi apresentado ao tradicionalismo gaúcho. Carvalho é casado e tem três filhos, segundo eles, todos criados na cultura gaúcha. “O negócio deles é o tradicionalismo. Todos sempre gostaram e participam bastante até hoje”, completou o produtor rural.
Patrão no Acampamento Farroupilha
Carvalho é frequentador do Acampamento Farroupilha antes mesmo dele receber esse nome. Desde 1985 ele participa do piquete Hélio Barbachan, no qual foi escolhido há três anos para ser o patrão. Ele conta que foi a partir do envolvimento no acampamento que decidiu criar cavalo crioulo em sua propriedade.
“Somos um grupo de amigos. Lembro que quando comecei a frequentar o Acampamento Farroupilha eram apenas três piquetes no parque. Inclusive, fui o primeiro a construir uma cocheira de madeira para cavalos aqui no Parque Harmonia. O acampamento melhorou muito nos últimos anos em termos de organização, principalmente do apoio que dão para os piquetes. Desde que comecei a acampar, me sinto ainda mais apaixonado pela cultura gaúcha”, concluiu David Carvalho.