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Português de nascimento e gaúcho de coração atua há mais de 40 anos no Acampamento Farroupilha

Produtor rural David Carvalho nasceu em Aveiro, veio com 15 anos para o RS e é patrão de piquete no acampamento

Nascido em Aveiro, em Portugal, David Carvalho participa do Acampamento Farroupilha desde 1985
Nascido em Aveiro, em Portugal, David Carvalho participa do Acampamento Farroupilha desde 1985 Foto : Mauro Schaefer

O gentílico, palavra que indica origem de uma pessoa, de quem nasce no Rio Grande do Sul é rio-grandense. Para muitos, antes de uma questão geográfica, ser gaúcho é uma escolha a partir de um modo de vida ou espírito de quem está diretamente ligado às tradições pampeanas. Não precisa ser rio-grandense para ser gaúcho. E essa foi justamente a escolha feita pelo produtor rural David Carvalho.

Nascido em Aveiro, no Norte de Portugal, ele veio para Porto Alegre ainda com 14 anos, em 1967. Na época, essa era a idade limite para sair do país de nascimento em busca de novas oportunidades. Como já possuía familiares na Capital, veio com os pais para o RS. Quem o conhece atualmente talvez nem imagine suas origens, muito em função de seu sotaque, quase como o de um “gaúcho da fronteira”.

“Na época, por causa do exército, não podia sair de lá depois de fazer uma certa idade. Também não existiam essas coisas de bullying, mas a turma da escola fazia aquela brincadeira com o meu sotaque de português. Daí acabei aos poucos perdendo o sotaque e aprendendo o daqui”, brincou. O amor pela cultura pampeana e gaúcha foi tanto que Carvalho passou a trabalhar com a criação de equinos e ovinos no Lami, no Extremo Sul de Porto Alegre.

Culturas parecidas

David Carvalho acredita que a fácil adaptação e o gosto pela cultural local ocorreu principalmente por semelhanças com as tradições portuguesas. Entre elas, ele destaca a música local e a forma como as comunidades se reúnem e festejam essas tradições, principalmente.

“Portugal tem muita semelhança com o povo gaúcho. Os instrumentos musicais que usam são muito parecidos e os bailes daqui também lembram muito da cultura portuguesa. Por isso sempre tive gosto pela cultura do gaúcho, mas principalmente pelo churrasco que é algo que não tem lá”, disse.

Ele recorda que, logo que chegou ao Brasil, já foi apresentado ao tradicionalismo gaúcho. Carvalho é casado e tem três filhos, segundo eles, todos criados na cultura gaúcha. “O negócio deles é o tradicionalismo. Todos sempre gostaram e participam bastante até hoje”, completou o produtor rural.

Patrão no Acampamento Farroupilha

Carvalho é frequentador do Acampamento Farroupilha antes mesmo dele receber esse nome. Desde 1985 ele participa do piquete Hélio Barbachan, no qual foi escolhido há três anos para ser o patrão. Ele conta que foi a partir do envolvimento no acampamento que decidiu criar cavalo crioulo em sua propriedade.

“Somos um grupo de amigos. Lembro que quando comecei a frequentar o Acampamento Farroupilha eram apenas três piquetes no parque. Inclusive, fui o primeiro a construir uma cocheira de madeira para cavalos aqui no Parque Harmonia. O acampamento melhorou muito nos últimos anos em termos de organização, principalmente do apoio que dão para os piquetes. Desde que comecei a acampar, me sinto ainda mais apaixonado pela cultura gaúcha”, concluiu David Carvalho.