A resenha é um dos termos mais comuns no ambiente do futebol. A grosso modo, nada mais é do que um bate-papo, uma conversa informal. E que cada vez mais tem perdido espaço entre os atletas em função de um aparelho: o celular. Os mais jovens talvez não saibam, mas houve um tempo em que o celular apenas fazia ligações. Depois, passou a mandar mensagens. Mas foi quando a velocidade da internet, somada às inovações tecnológicas, transformaram o telefone em smartphone que tudo acelerou.
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Com tantos recursos e capacidade de conectar-se ao mundo todo, o celular mudou de patamar de importância. No Brasil, os dados mais recentes do IBGE indicam que quase 90% da população têm acesso a um smartphone. Mas qual é a relação do celular com o fim da resenha entre os jogadores?
“Temos casos em que jogadores, estando na mesma concentração, falam pelas redes sociais e não falam pessoalmente”, aponta Mano Menezes, técnico do Grêmio.
Não se trata de uma opinião isolada. “O convívio dos jogadores na concentração mudou muito, isso afirmo com 100% de certeza. Antes, sem essas ferramentas, ficávamos muito tempo na refeição, conversando, contando histórias, jogando carta ou videogame. Hoje você vê menos isso. Se analisar, os grupos que conversam ou ficam na mesa após as refeições são os mais velhos. Quanto mais novo o jogador, mais rápido ele sai. Acho que nas próximas duas gerações, essa ‘resenha’ que tínhamos antes não vai mais existir”, prevê o goleiro Tiago Volpi, também do Tricolor.
Nas categorias de base do Inter, o técnico Diego Barcellos, do sub-13, revela que já há um procedimento padrão para minimizar tanta dependência. Determinado tempo antes de cada partida ou treino, os aparelhos dos atletas são recolhidos e só devolvidos no final.
“Se deixar eles levam até o momento do jogo e só desligam quando o juiz apitar. Só que isso tem impacto no jogo”, observa o ex-jogador.
Pode parecer um detalhe menor ou um exagero disciplinar, mas quem tem experiência no futebol alega que o contato real, e não virtual, entre os atletas é essencial. “Para nós, falar pessoalmente tem muito valor, e perdemos muito nisso. Falar pessoalmente faz com que você fale de futebol, de coisas pertinentes ao nosso mundo e importantes para o nosso mundo. Você precisa viver intensamente o futebol para estar nele”, insiste Mano.
“Muitas vezes, as conversas nem são tão atreladas ao futebol em si, mas você acaba gerando vínculo. E quanto mais vínculo você tem, mais o ‘extra’ você faz pelo companheiro. Tive um treinador que sempre falava que, ‘se houver vínculo entre vocês, dificilmente você deixará o colega na mão’”, completa Volpi.