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SAF e recuperação judicial são novos salvadores do futebol brasileiro?

Foto : Vitor Silva / Botafogo

CAPÍTULO 8 – SAF e Recuperação Judicial

Uma alternativa que circula nos bastidores dos dois clubes é a recuperação judicial. Trata-se de um mecanismo legal, previsto em lei, que permite a renegociação de dívidas com o objetivo de preservar a atividade econômica da instituição. Embora possa dar fôlego ao alongar prazos e suspender execuções, também atinge diretamente a credibilidade do clube. O economista César Grafietti, um dos maiores especialistas em finanças do esporte no Brasil, vê a medida com reservas.

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“Para clubes como Inter e Grêmio, cuja dívida envolve muitos credores não bancários, a recuperação judicial teria pouco impacto sozinha. Ela pode ajudar, sim, mas não resolve. O ideal seria uma reestruturação organizada dos passivos, combinada com a entrada de um investidor, o que pode acontecer via SAF ou como aconteceu com o Palmeiras. Aí, sim, o clube muda de patamar”, afirma Grafietti.

Apesar da discussão nos bastidores, os presidentes descartam a medida por enquanto. “É uma saída que poderia aliviar no curto prazo, mas afetaria nossa imagem. Precisamos ter crédito para contratar e manter parcerias. Não é uma solução para o Inter”, afirma Barcellos.

Transformar-se em SAF, como fizeram Botafogo, Cruzeiro, Bahia e Vasco, entre outros, também é uma alternativa concreta. Ainda há resistência de torcedores e conselheiros, mas o cenário está mudando. No Inter, Barcellos encomendou um estudo com uma assessoria internacional para mapear o modelo de negócios mais adequado ao clube — incluindo ou não a SAF. O trabalho ainda está em andamento e deve ser concluído até o final deste ano.

No Grêmio, Guerra já se posiciona publicamente a favor:

“Temos que voltar a ser vencedores, para disputar grandes competições e vender atletas por valores maiores. E, quando isso acontecer, não podemos desperdiçar a chance de retroalimentar o sistema. Tivemos essa chance em 2016 e 2017, mas não soubemos aproveitar. Depois, caímos, e tudo foi por água abaixo. O cenário é difícil. Me elegi contra a SAF e defendi isso por dois anos e meio. Mas hoje, sou favorável.”