Direto ao Ponto

Esporte e estudo: desafios e oportunidades

Quando atletas se deparam com a escolha entre estudar ou praticar esportes, programas públicos, de entidades e universidades podem incentivar ambos, oportunizando a formação desportiva e futuros competidores olímpicos

Tamires Pohren, atleta do Programa Esporte Universitário da Feevale, conquistou a medalha de prata nos 400 metros com barreiras; e Rayssa de Oliveira conquistou a medalha de bronze nos 100 metros com barreiras
Tamires Pohren, atleta do Programa Esporte Universitário da Feevale, conquistou a medalha de prata nos 400 metros com barreiras; e Rayssa de Oliveira conquistou a medalha de bronze nos 100 metros com barreiras Foto : Andrieli Siqueira / Feevale / CP

Promover a saúde física em paralelo às faculdades mentais é um milenar desafio na história. Desde as civilizações greco-romanas antigas, busca-se a plenitude humana. Entretanto, equilibrar essas realidades, principalmente quando se busca o alto rendimento, nem sempre é tarefa fácil.

Suporte estrutural, psicológico e técnico, recursos, treinamentos, competições, tempo para conciliar vida esportiva, profissional e acadêmica são problemas que podem dificultar essa atuação em sintonia. Assim, governos e instituições de ensino brasileiras oferecem facilidades. Entre eles, seleções especiais a atletas, bolsas, programas e incentivos diversos para o desenvolvimento de habilidades esportivas sem deixar os estudos de lado.

Essa prática, apesar de recente no Brasil, é antiga em outros países. Nos EUA, a National Collegiate Athletic Association (NCAA) passou a regulamentar formalmente as bolsas atléticas em 1956, estabelecendo as primeiras diretrizes básicas sobre incentivos. Hoje, as universidades norte-americanas são o principal canal de acesso às principais ligas esportivas profissionais do país.

UFSM

No Rio Grande do Sul, a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), com o “Processo Seletivo de Ingresso de Atletas de Rendimento UFSM” (Piares), é um exemplo de instituição que oferece essa ponte. Frederico Lima, coordenador do curso de Educação Física/bacharelado, explica que o Piares nasceu com o objetivo de “criar uma maneira para que atletas pudessem acessar o Ensino Superior”. O projeto, de autoria do professor Luiz Fernando Cuozzo Lemos, foi inspirado em bolsas esportivas de universidades norte-americanas, adaptando a prática aos moldes da universidade pública brasileira.

O Piares, em 2024, ofereceu 102 vagas em duas modalidades: “Atleta de Rendimento em formação (potenciais talentos)” e “Ex-Atletas de Alto Rendimento”, oportunidade para ex-destaques em competições internacionais que procuram continuar suas carreiras com o suporte acadêmico. Frederico revela que a nota para o ingresso é baseada no desempenho acadêmico (que tem peso de 50%) e desempenho esportivo (peso de 50%).

FEEVALE

Outro exemplo, desta vez no ensino privado, é o Programa Esporte Universitário da Universidade Feevale, com campus-sede situado em Novo Hamburgo.

A coordenadora do Núcleo de Extensão Universitária da Feevale, Luciane Iwanczuk, avalia que o projeto traz inúmeros benefícios. Segundo ela, a visibilidade e a vinculação à prática esportiva são elementos importantíssimos para a construção da imagem da universidade, visto que a prestação de serviços à comunidade é uma de suas funções fundamentais. Além disso, o bom rendimento dos estudantes em campeonatos regionais e nacionais, como os Jogos Universitários Gaúchos (JUGs) e os Jogos Universitários Brasileiros (JUBs), também é muito valioso para todos.

Em contrapartida, para os acadêmicos, a Feevale proporciona benefícios, como bolsas de ensino que garantem o seguimento dos estudos, acesso às competições, disponibilidade de equipes especializadas nas áreas de Fisioterapia, Quiropraxia, Nutrição e Psicologia, além de academias e acompanhamento técnico.

A universidade de Novo Hamburgo conta, em parceria com outras entidades, com equipes masculinas e femininas de futsal, voleibol e handebol, assim como modalidades individuais de atletismo; beach tennis; ciclismo; judô; e natação. No momento, o Projeto, que é realizado por meio da Pró-Reitoria de Pesquisa, Pós-Graduação e Extensão (Proppex) da Feevale, dispõe de 112 estudantes-atletas, entre bolsistas e voluntários.

Ambas as universidades garantem que não apenas o incentivo ao esporte continuará em seus quadros seletivos e de bolsistas, como há planos de ampliação dos auxílios. Propostas assim, como de UFSM e Feevale, são fundamentais à evolução de atletas em formação, que hoje representam universidades, mas que, futuramente, podem representar o Brasil.

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