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A Copa de quem se preparou

Pentacampeonato foi resultado de uma preparação minuciosa com objetivos bem definidos e jogadores focados

Tricolor levantou a taça pela quinta vez em sua história
Tricolor levantou a taça pela quinta vez em sua história Foto : Guilherme Testa
Ninguém é campeão por acaso. Chegar a um título nacional exige planejamento, preparação, foco no objetivo e muita disciplina. O Grêmio, pentacampeão da Copa do Brasil, soube aliar esses e outros fatores para levantar a taça na última quarta-feira, na Arena. O Tricolor mostrou-se um time mais preparado que o seu adversário. Foi bastante superior no jogo de ida, quando fez 3 a 1 sobre o Atlético-MG, no Mineirão, e administrou em casa.

Mas a trajetória até o título foi construída, também, com percalços. Na estreia, diante do Atlético Paranaense, em Curitiba, sob o comando de Roger Machado, o Grêmio teve ótima apresentação, bateu o time paranaense por 1 a 0 e encaminhou a classificação às quartas de final. O problema é que no Brasileirão a equipe estava em decadência. Com uma sequência de resultados negativos, o presidente Romildo Bolzan Jr. optou por aceitar o pedido de demissão de Roger. O departamento de futebol também sofreu alterações com a saída de Alberto Guerra. O clube vivia um período de crise em meio à competição.
Renato Portaluppi foi contratado e a estreia era justamente na Copa do Brasil, na partida de volta com o Atlético-PR. No futebol, Adalberto Preis assumiu a função de Guerra. Na Arena, o Furacão venceu por 1 a 0. Nos pênaltis, em noite dramática, o Grêmio fez 4 a 3 e avançou para encarar o Palmeiras. Renato teve tempo para reerguer o grupo animicamente. Arrumou a defesa, que vinha sofrendo muitos gols de bola parada. E, acima de tudo, focou na Copa do Brasil, já que as chances de título no Brasileirão eram escassas. A direção apostou no projeto do penta e o clube priorizou a competição no momento certo.

Diante do Palmeiras, vitória por 2 a 1 na Arena com grande atuação. Na volta, bastou o empate em 1 a 1 no Allianz Parque. Nas semifinais, o 2 a 0 sobre o Cruzeiro no Mineirão encaminhou a vaga na decisão. Na Arena, o 0 a 0 dava ao Grêmio a chance de quebrar o jejum de 15 anos. O Grêmio estava na final. Mas era pouco para um clube e uma torcida carentes de uma grande conquista. Já nas semifinais, a direção fretou um voo até Belo Horizonte. Nos jogos do Brasileirão, Renato usava os reservas.

O Grêmio se cercou de cuidados. Para a final, a logística foi mantida. Em BH, a concentração dos jogadores impressionava. A cada declaração, a certeza de que a Copa do Brasil era uma obsessão. O clube como um todo estava focado como havia tempos não se via. Os 3 a 1 no Mineirão com atuação de gala indicaram que o planejamento estava correto. O 1 a 1 na Arena foi o capítulo final de uma história que promete mudar a vida do clube.

A redenção de Marcelo Grohe

Marcelo Grohe e Pedro Rocha foram dois protagonistas na conquista do Grêmio. O goleiro é quem tem mais tempo de clube no atual elenco. E um jogo em especial ficou marcado para Grohe. Nas oitavas de final, ele falhou no gol que deu a vitória ao Atlético-PR na partida de volta, na Arena, no tempo normal. Nos pênaltis, se redimiu, pegou três cobranças e foi o herói da classificação. Depois da partida, disse que muita coisa passou na cabeça na hora da falha. “Acho que minha situação no clube ficaria insustentável”, admitiu, após a classificação.

“Deus me deu uma sobrevida. Eu não tinha pegado nenhum pênalti na temporada”, lembrou, naquela oportunidade. No primeiro jogo da final, voltou a salvar o time com uma defesa incrível nos minutos finais da etapa inicial, quando o Grêmio vencia o Atlético-MG por 1 a 0. Comemorou como se tivesse feito um gol.

Já Pedro Rocha foi bancado no time por Renato Portaluppi. Quando setores da torcida e imprensa pediam Everton como titular, o treinador manteve a convicção. Se até a decisão ele não havia brilhado, nela provou que Renato tinha razão. Fez dois gols e foi o nome do jogo em Belo Horizonte. Expulso momentos depois do segundo gol por uma falta violenta — já havia levado um amarelo por tirar a camisa na comemoração do gol —, ainda protagonizou uma imagem que ficou marcada na campanha da Copa do Brasil. Pedro Rocha parou no corredor dos vestiários do Mineirão e se derramou em lágrimas. Ficou fora do jogo na Arena, mas será lembrado como o herói do Mineirão.