Foram 15 longos e intermináveis anos. Mais de 5 mil dias até o capitão Maicon erguer a taça de campeão da Copa do Brasil. O feito, que transforma o Grêmio no "Rei das Copas", já que o Tricolor chega ao quinto título da competição, foi construído parafraseando o filme "2001, uma Odisseia no Espaço", como uma narrativa épica. No longínquo 2001, o Tricolor, antes de ser tetracampeão da Copa do Brasil comemorou o título do Gauchão ao derrotar o Juventude na final. E depois disso, amargou derrotas e decepções em nivel nacional e internacional, passando até por mais um rebaixamento.
O choro compulsivo que agora corre dos rostos gremistas é de felicidade e não de frustrações traumáticas, como a disputa de pênaltis contra o Olímpia, o segundo rebaixamento, a final da Libertadores de 2007, os 11 pontos de vantagem sobre o São Paulo virarem pó, as semifinais da Copa do Brasil de 2010, 2012 e 2013. Comemorações? Poucas. Batalha dos Aflitos, "Mazembaço" e o Gre-Nal dos 5 a 0.
Entre tantas voltas da Terra ao redor do Sol, o mundo passou em 2001 por momentos emblemáticos, tal como é agora com este título gremista. Foi, tal como 2016, um ano agitado.
A humanidade viu, assombrada, no dia 11 de setembro, a queda das Torres Gêmeas (World Trade Center), em Nova Iorque, destruídas quando dois aviões sequestrados por terroristas da Al-Qaeda, de Osama Bin Laden, foram jogados contra os prédios. Uma outra aeronave atingiu o Pentágono e um quarto avião caiu na Pensilvânia. Foram milhares de mortos. O então secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Kofi Annan, recebeu o Nobel da Paz. E aqui do lado, nossos hermanos argentinos enfrentava uma grave crise: o presidente Fernando de la Rúa renunciou ao cargo.
No Rio Grande do Sul, o governador do Estado, Olívio Dutra, enfrentou uma oposição ferrenha na Assembleia. No Brasil, o presidente Fernando Henrique Cardoso, enfrentou a crise energética com o "apagão" e uma alta desvalorização do real diante do dólar. Um símbolo da avião brasileira deixou de decolar. A Transbrasil encerrou suas atividades, pedindo concordata.
Houve perdas importantes, como a do escritor Jorge Amado, que fez o mundo conhecer a Bahia pela literatura. George Harrison, guitarrista, dos Beatles, faleceu após perder a luta contra um câncer. A cantora Cássia Eller, no auge da carreira, e o bicampeão olímpico Adhemar Ferreira da Silva e o bicampeão mundial de futebol Didi, também nos deixaram em 2001.
No âmbito da cultura, "Gladiador", do diretor Ridley Scott, venceu o Oscar de melhor filme. Russel Crowe, protagonista, ficou com o Oscar de melhor ator. Além disso, o ano marcou o lançamento de "Harry Potter e a Pedra Filosofal", o primeiro filme da saga do bruxinho criado pela escritora britânica J. K. Rowling.
Smartphones e celulares ultramodernos eram peças de ficção científica. Bill Gates, ainda todo-poderoso da Microsoft, anunciou o sistema operacional Windows XP. O ano marcou também o lançamento da versão em português da Wikipédia.
O ano esportivo ficou marcado pelo tricampeonato de Gustavo Kuerten em Roland Garros. No Brasileirão, o Atlético-PR igual o rival Coritiba ao conquistar o título. Liderado pelo atacante Alex Mineiro, o time treinado por Geninho derrotou o São Caetano nas duas partidas decisivas.
A verdade é que todo este grupo do Grêmio sonhava em quebrar essa "maldição", romper este círculo vicioso e entrar para a história. Serem lembrados na retrospectiva 2016 como campeões. Conseguiram. E quis as Moiras - irmãs gregas que determinavam o destino - que o comandante desta épica trajetória fosse Renato Portaluppi, com quem o Grêmio atingiu o Olimpo e agora, pelas suas mãos, voltou a ocupar a morada dos deuses.
A Odisseia do Grêmio até voltar a vencer um título nacional
Relembre fatos marcantes do ano de 2001