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Abel diz que fica no Flu e critica boatos de pré-contrato com o Inter

Técnico campeão brasileiro fez promessa à torcida ainda no gramado do Prudentão

Abel diz que fica no Flu e critica boatos de pré-contrato com o Inter
Abel diz que fica no Flu e critica boatos de pré-contrato com o Inter Foto : Nelson Perez / Fluminense. F.C. / CP
Com contrato por se encerrar no fim do ano, o técnico campeão brasileiro Abel Braga garantiu neste domingo, ainda no gramado do Prudentão, que vai ficar no Fluminense para tentar o título da Libertadores do ano que vem. "Eu vou ficar", disse ele à torcida que pedia insistentemente pela sua permanência nas Laranjeiras para a temporada 2013. Cotado para assumir o Inter no ano que vem, o treinador campeão da Libertadores e do mundo em 2006 não voltará ao Beira-Rio.

Os planos para o ano que vem já começaram. Ao exaltar a liderança de Fred e a união do grupo, o treinador comentou sobre um episódio desta semana em que o capitão foi pedir a Abel que intercedesse pela renovação contratual de um jogador do elenco."O capitão veio falar assim: 'Pô, tu não vai ficar com fulano? O contrato dele acaba'. O Fred, o cara mais alto da equipe está preocupado com o cara que é baixinho", exaltou o treinador. "Claro que temos probleminhas diários, mas o jogador aqui é assim."

Mesmo com contrato por vencer, Abel Braga já faz planos para 2013 e pensa na montagem do elenco. "Se você puder botar mais um ou dois é bom, porque esse ano a coisa vai apertar, tem que ter um grupo maior", comentou o técnico.

Falando tranquilamente com a imprensa no gramado do Prudentão, depois da vitória sobre o Palmeiras, o treinador rebateu as críticas recebidas principalmente por parte do Atlético-MG, cutucando o clube mineiro, e também reclamou da postura dos veículos de imprensa que noticiaram que ele teria assinado pré-contrato com o Inter.

"Quando perdemos, administramos nossos erros. Não jogamos a culpa em ninguém. Com uma campanha dessas, as pessoas só falavam de arbitragem, tirando todo o valor da campanha. Já teve gente dizendo que eu acertei contrato com o Inter desde setembro. Isso é desconhecer totalmente meu caráter", disse ele.

Abel também destacou que o time não teve problemas de relacionamento e que a imprensa pôde observar isso durante a campanha. "Mesmo quando teve mudanças no time, tu vai vendo que não tem problema, O grande problema da imprensa no Fluminense é procurar noticias bombásticas, mas não tem. Nosso dia a dia é sempre igual, ganhando ou perdendo."

Abel se consolida no grupo dos mais vencedores do Brasil

Em cinco temporadas, dois títulos estaduais, um Brasileiro, uma Libertadores e um Mundial. É este o desempenho recente de Abel Braga treinando clubes brasileiros. O técnico consolidou-se no grupo dos treinadores mais vitoriosos do País ao levar o Fluminense ao título do Brasileirão, com três rodadas de antecedência, neste domingo.

No restrito grupo de treinadores brasileiros considerados "top", Abel Braga é o que mais demorou a conquistar grandes resultados. Sua estreia em times de ponta foi no Botafogo, em 1987, mas só 17 anos depois conquistou o seu primeiro título de importância, um Campeonato Carioca com o Flamengo. Mas agora, com um currículo invejável, Abel já aparece como concorrente ao cargo máximo de treinador da Seleção Brasileira.

Diferente da tríade Felipão, Luxemburgo e Muricy, que há bastante tempo ocupa o grupo dos "Top", Abelão é discreto. Até o seu apelido mostra o estilo bonachão, mais de boleiro do que de estrategista. O preciso trabalho tático de seus times, porém, mostra que o treinador só não sabe fazer marketing – nem antimarketing, como Muricy. Na primeira passagem pelo Fluminense, em 2005, Abel Braga tornou-se bicampeão carioca e começou a se destacar. No ano seguinte, levou o Inter ao título da Libertadores e do Mundial de Clubes, passando a ser considerado um dos melhores do País. Ele depois voltaria a ser campeão no Gauchão de 2008, mas logo em seguida partiria para fazer o pé de meia, "escondendo-se" no Al Jazira, nos Emirados Árabes Unidos.

Depois de três anos no mundo árabe, Abel topou voltar ao Brasil para assumir o Fluminense. O time carioca, que havia sido escrachado por Muricy Ramalho – que saiu falando até da presença de ratos nas Laranjeiras –, escolheu a dedo seu novo treinador, tanto que esperou três meses até Abel chegar. E ele não decepcionou, levando o time ao título do segundo turno do Brasileirão, o máximo que poderia fazer.

O trabalho de sucesso fez ele lidar com um problema no início da temporada 2012: o excesso de jogadores no elenco do Fluminense. A diretoria não poupou esforços na busca por reforços e criou uma situação complicada para o treinador, que precisava lidar com uma série de atletas descontentes com a reserva. Só para as quatro posições mais ofensivas do time ele tinha: Deco, Souza, Wagner, Thiago Neves, Marquinho, Lanzini, Fred, Araújo, Martinuccio, Rafael Sóbis, Rafael Moura e Wellington Nem. Doze jogadores, mais que um time inteiro brigando por quatro vagas. E garotos talentosos, como Marcos Júnior, Samuel Amaral e Matheus Carvalho ainda esperando por uma chance, que parecia que não viria,

Abel soube abrir mão daqueles que não interessavam, ainda que isso significasse perder talentos como de Marquinho, titular no título brasileiro de 2010, cedido à Roma. Com isso, ganhou ainda mais a confiança daqueles que permaneciam. O treinador também soube definir, desde meados do Campeonato Carioca, quem eram os 11 titulares, que permaneceram no time até a conquista do Brasileirão. Os mais caros do banco, Rafael Sóbis e Wagner, foram dos mais utilizados.

Nem a eliminação na Libertadores, pelo Boca Juniors, com um gol nos acréscimos, abalou de forma significativa a moral da equipe. Campeão carioca, o Fluminense de Abel Braga sabia que poderia chegar longe. Foram três empates seguidos após a queda na competição continental, mas depois disso o time deslanchou. De lá para cá, apenas outros 10 tropeços, sendo apenas três derrotas. Campanha digna de um time campeão.



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