Esportes

Angola investiga ataque à seleção do Togo, mas garante segurança da Copa

Delegação foi enviada a Cabinda para apurar o ocorrido

As autoridades políticas e esportivas de Angola estão investigando na região de Cabinda, fronteira com o Congo, o ataque armado da véspera contra a seleção de futebol do Togo, que deixou três mortos e que ameaça ofuscar a realização da Copa da África de Nações (CAN). O governo angolano e a Confederação Africana de Futebol (CAF) enviaram para Cabinda uma delegação dirigida pelo ministro do Interior para averiguar os graves fatos.

Em Luanda, o primeiro-ministro Paulo Kassoma se encontrou com o presidente da CAF, Issa Hayatou, para tomar decisões que garantam a boa realização da competição, que deve começar neste domingo. Segundo o premier, o ataque da véspera foi um ato isolado, mesmo reconhecendo que tenha se tratado de um "ato terrorista". "O governo angolano quer oferecer toda sua compaixão e dar seu apoio moral à delegação togolesa" acresentou Kassoma.

A equipe de Togo decidiu não participar do torneio, segundo seu capitão, Emmanuel Adebayor. "Um número importante de jogadores quer ir embora. Eles viram seus companheiros com uma bala no corpo, chorando e desmaiando", contou o craque do Manchester City.

Nove membros da delegação do Togo foram feridos quando o ônibus em que viajavam foi metralhado na sexta-feira na fronteira entre Congo e Angola. O zagueiro Serge Akakpo, que joga na Romênia, e o goleiro Kodjovi Obilalé, que defende um pequeno clube da França, foram feridos gravemente e levados para um hospital, onde foram operados.

O ataque foi reivindicado pela Frente de Libertação de Cabinda (FLC). Este território angolano rico em petróleo situado entre a República Democrática do Congo (RDC) e o Congo é assolado por um conflito separatista desde a independência da Angola, em 1975. Apesar do ataque, a CAF, organizadora do evento, decidiu manter a competição. As sete partidas previstas em Cabinda poderão, no entanto, ser disputadas em Luanda, capital angolana.

O governo assegurou que fará todo o possível para garantir a segurança da CAN, enquanto a associação de defesa dos direitos humanos Humans Rights Watch (HRW) disse que é preciso evitar a tentação do governo de lançar uma onda de repressão indiscriminada. Segundo o governo central de Angola, a zona de Cabinda já não está em conflito desde 2006, depois da assinatura de um acordo de paz com Bento Bembe, um dos dirigentes políticos da Flec.

O separatista, no entanto, sempre negou o acordo e já reivindicou vários ataques contra militares angolanos instalados na zona ou contra funcionários de empresas estrangeiras. Bento Bembe, convertido em ministro de direitos humanos, assegurou recentemente que a CAN tem garantidas todas as condições de segurança necessárias para celebrar a competição.

A organização da CAN é o ponto culminante de uma série de eventos que deviam simbolizar a normalização de Angola, entre elas as eleições legislativas de setembro de 2008, as primeiras desde 1992, e a cúpula da OPEP de dezembro passado.

O ato terrorista de Cabinda e as imagens dos jogadores de Togo apavorados chorando difundidas pelas tvs do mundo inteiro frustraram os desejos do governo e recordaram os momentos mais sombrios de um passado recente.