Corredores que se preparam para a 41ª Maratona Internacional de Porto Alegre, a mais antiga do Brasil, no próximo domingo, devem atentar para a saúde antes de seguir para a prova, disse o cardiologista Rodrigo Bodanese, cooperado da Unimed Porto Alegre, que fará o serviço de saúde da prova. A maratona, uma das mais tradicionais do país, teve um evento de aquecimento nesta terça-feira, em um restaurante no bairro Bela Vista, na Capital, reunindo influenciadores e organizadores.
Bodanese salientou os impactos extremos da maratona no sistema cardiovascular, defendendo a importância de “ouvir o corpo” para identificar sinais de alarme. “Na semana da prova, é ideal que todo mundo já tenha seus exames em dia, porque o exercício, apesar de ser um aliado na nossa saúde, prevenindo doenças cardiovasculares, pode servir como um gatilho para instabilização de alguma doença preexistente, seja no músculo cardíaco ou nas artérias que ligam a ele”, disse ele.
“O ideal é que façamos uma avaliação minuciosa para saber se o corpo está apto a fazer este esporte”, acrescentou. De acordo com o médico cooperado da Unimed Porto Alegre, alguns dos sintomas que requerem atenção aos corredores incluem dor e ardência intensas no peito, sensação de desmaio, palpitação e falta de ar desproporcional ao esforço. Ele lamentou ainda a morte precoce do jovem João Gabriel Hofstatter Delamare, 20 anos, ocorrida na prova do ano passado.
Àqueles que já estão com a avaliação em dia, a prova será um grande desafio competitivo, salientou o diretor técnico da prova, Paulo Silva, presidente do Clube de Corredores de Porto Alegre (Corpa), que, obviamente, vai participar de mais esta edição. “São 25 países participando e a rede hoteleira está lotada. A cada ano a responsabilidade aumenta e a motivação também. Erros vão acontecer, não vão passar despercebidos, mas a gente tem consciência e tenta corrigi-los para uma próxima edição”, comentou Silva.
Segundo ele, o próprio presidente da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), Wlamir Motta Campos, vem assistir à prova da Capital, porém não conseguiu hotel na região, apenas em São Leopoldo, no Vale do Sinos. Ainda, Silva salientou que mais de 95% dos participantes da Maratona são pessoas que focam na qualidade de vida, do que propriamente a competição.
Campeã da Maratona Internacional de Porto Alegre em 2019, Marlei Willers comentou a respeito de sua trajetória, iniciada há oito anos, e enfatizou o caráter democrático da corrida de rua e da capacidade de transformar vidas. “A corrida literalmente mudou minha vida. Tenho um carinho muito grande por Porto Alegre, que é o lugar onde fui mostrada para o mundo. Ela tem o potencial de criar um ambiente mais saudável dentro do lugar onde vivemos, da nossa comunidade, na nossa família”, comentou Marlei.
A mediação do encontro foi conduzida pelo jornalista Leo Saballa Jr., da Record Guaíba, também corredor amador. “Comecei a correr depois de terminar o mestrado, em 2019, como maneira de recuperar o fôlego e o condicionamento. A corrida começou a fazer parte da minha vida e me transformou a minha vida como transforma a de muita gente”, disse ele.
A partir desta quarta-feira até a sexta, ocorre a entrega dos kits e a Feira da Maratona, no Centro de Eventos do BarraShoppingSul. No sábado, ocorrem a Meia Maratona, as corridas de 5 e 10 quilômetros, mais a Maratoninha Kids. No domingo, a Maratona larga às 5h55min para cadeirantes, deficientes visuais e corredores especiais, e às 6h para os demais participantes.