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Apoio de Andrés Sanchez a Ricardo Teixeira garante estádio ao Corinthians

Dirigente justifica qualquer aliança "até com gangsteres" em nome do clube

Apoio de Andrés Sanchez a Ricardo Teixeira garante estádio ao Corinthians
Apoio de Andrés Sanchez a Ricardo Teixeira garante estádio ao Corinthians Foto : Fabiano do Amaral/CP Memória
Num clube de grande camisa, com a segunda maior torcida do Brasil, e uma das mais apaixonadas do mundo, ele conseguiu ficar em evidência sem nunca calçar uma chuteira – longe do gramado, na tribuna de honra, o presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, não esconde o que deseja e, sobretudo, o que faz no futebol. Ele virou parceiro preferencial do chefe da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), o vastamente investigado Ricardo Teixeira,. Foi assim que o presidente do time mais popular de São Paulo decidiu votar de acordo com os interesses de Teixeira e da TV Globo, na eleição para o Clube dos 13 e garantiu a construção do estádio do Corinthians, com vistas para a Copa de 2014.

Com fama de explosivo e boêmio, Andrés Sanchez virou um personagem importante, não apenas para o Corinthians, mas para a estrutura de poder do futebol brasileiro. Um dos candidatos era Fabio Koff. Ele prometia uma negociação dura pelos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro. Ricardo Teixeira, aliado da Globo, lançou outro nome: Kleber Leite, com um cabo eleitoral de peso – Andrés Sanchez.

Kleber perdeu mas Andrés foi premiado pela lealdade: virou chefe da delegação brasileira na Copa da África do Sul. Em 2011, o corintiano devolveu a gentileza: rompeu com o Clube dos 13 e anunciou que negociaria diretamente com a Globo os direitos do Brasileirão. Em maio, num encontro com dirigentes, nem fez cerimônia. "Sou amigo do Ricardo Teixeira mesmo, sou amigo da Globo mesmo, apesar de serem gangsteres, sou amigo não sei de quem, eu não tenho problema não. Agora, eu vejo meu clube", salienta.



Do Morumbi garantido à arena bilionária do Timão

A declaração pegou mal com parceiros que foram tão generosos com o Corinthians – a ponto de oferecer ao clube a chance de realizar um velho sonho: construir seu próprio estádio. Até dois anos atrás, ninguém tinha dúvidas que o Morumbi seria o estádio paulista na Copa de 2014. O São Paulo, dono do Morumbi, fez um primeiro projeto, e depois de receber novas instruções da Fifa, preparou o segundo desenho, que previa até cobrir o estádio. O custo da reforma era de R$ 256 milhões.

Naquela ocasião, Ricardo Teixeira e o então presidente Lula foram até o estádio e entraram em campo para anunciar que o novo Morumbi reunia as condições para receber o jogo de abertura da Copa do Mundo no Brasil. Hoje, a promessa, que foi testemunhada por Andrés Sanchez, virou foto na parede No ano seguinte, tudo mudou. O motivo: o São Paulo apoiou Fabio Koff para o Clube dos 13, irritando Ricardo Teixeira.

A partir de então, o estádio do Tricolor passou a ser bombardeado pela CBF. O comitê brasileiro fez novas exigências, o que dobraria o custo da reforma. o São Paulo não aceitou, e o Morumbi ficou fora da Copa. O advogado Francisco Mansur, que coordenava as adaptações do Morumbi para a Copa diz que a decisão de excluir o estádio do torneio foi totalmente política. "O Morumbi não ficou fora da Copa por nenhuma questão técnica de reforma. O Morumbi ficou fora da Copa por uma decisão política do presidente da CBF e que também é o presidente do comitê organizador local", garante.

No lugar do Morumbi, entrou Andrés Sanchez com o projeto da Arena do Timão, que teria o custo de R$ 1 bilhão, quatro vezes mais do que a reforma do estádio do São Paulo, A obra do novo estádio precisa de R$ 420 milhões de dinheiro público – que viriam de incentivos fiscais da prefeitura. E mais R$ 400 milhões de empréstimo do BNDES, também dinheiro público. Ainda assim, a conta só fecharia com mais R$ 180 milhões.

A ata de uma reunião no Corinthians explica como a construtora Odebrecht foi convencida a bancar parte da obra. Segundo o diretor de marketing do clube, Luiz Paulo Rosenberg, a empresa concluiu que poderia lucrar com as obras no entorno do estádio. "Tá bom, eu vou fazer esse estádio no talo, mas vou fazer viaduto, vou fazer não sei o quê. Quando virar estádio de Copa tem mais dinheiro", projetou. O mesmo diretor usou uma comparação infeliz para convencer os conselheiros de que o estádio seria lucrativo. "Tem uma taxa de retorno de cocaína e de prostituição. Nada mais tem uma taxa de retorno de 40%", frisou.

Vantagens para o Corinthians ou para os cartolas?


Polêmicas à parte, Andrés Sanchez, entrega o cargo no fim desse ano e se considera um vitorioso. Mansur diz que Andrés acredita que o Corinthians vá ser beneficiado com o apoio a Teixeira. "O presidente do Corinthians acredita claramente que ao apoiar incondicionalmente a CBF vai agregar vantagens que ele diz que são em favor do clube. O tempo vai dizer quem vai se beneficiar dessas vantagens: se o Corinthians mesmo ou as pessoas envolvidas com isso", analisa.

Quem conhece os bastidores da política corintiana, como o jornalista e blogueiro Paulo Cézar Prado, o Paulinho, diz que a parceria com Kia continua. "O senhor Andrés Sanchez é laranja do senhor Kia Joorabchian. Kia Joorabchian é hoje o presidente de fato do Corinthians e o André Sanchez é o presidente de direito", atesta. Paulinho investiga negócios suspeitos feitos pelo Corinthians na gestão de Andrés Sanches. Ele entrevistou Dimitris Tzalas – conhecido como "Grego" – que compra e vende jogadores. E já fez vários negócios com o Corinthians.

"É realmente uma quadrilha. Estão ganhando muito dinheiro. Não tem negócio feito no Corinthians que o Andrés não leve comissão. Não é à toa que o chamam de Taxinha", relata. "Ele tem cópia dessas transações? Ele tem cópia, ele me mostrou, eu vi cópia dos comprovantes de transferência, dos TEDs bancários", denuncia.

O empresário também teria dito ao blogueiro que na compra de Souza - um atacante que marcou época pelos gols que não conseguia fazer - o Corinthians pagou 700 mil euros para um intermediário - Carlos Leite - que segundo ele redistribuía o dinheiro.

Andrés Sanchez não quis se pronunciar sobre o conteúdo da reportagem. O empresário Carlos Leite negou as acusações. Dimitris Tzalas não negou e nem desmentiu os fatos apontados. O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho de São Paulo, Marcos Cintra, disse que a isenção fiscal concedida ao estádio do Corinthians trará benefícios à população, como a geração de empregos.


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