Esportes

Arbitragem brasileira está em evidência e é contestada

Presidente da Anaf afirma que situação é problemática e que estão no fundo do poço

Arbitragem brasileira está em evidência e é contestada
Arbitragem brasileira está em evidência e é contestada Foto : Fabiano do Amaral/CP Memória
''Em 2008 tivemos uma arbitragem problemática. Em 2009 estamos chegando ao fundo do poço. Em 2010 não sei o que teremos, mas arbitragem não será. Estamos há dois anos na UTI''. Essas frases traduzem o sentimento do presidente da Associação Nacional dos Árbitros de Futebol (ANAF) com o atual momento da arbitragem no Brasil.

Jorge Paulo Oliveira Gomes não se refere às questões técnicas, ao potencial ou à qualidade dos árbitros, que segundo ele não ficam devendo em nada para árbitros de fora do país, mas sim à maneira como está organizada a arbitragem brasileira. A opinião dele é uma crítica direta à Comissão Nacional de Arbitragem, órgão ligado à CBF e presidido por Sérgio Corrêa.

''Admiro a gestão Ricardo Teixeira, acho que ele faz um belo trabalho à frente da CBF e está contribuindo muito com o futebol brasileiro. Mas a pessoa que está comandando a Comissão de Arbitragem não tem condições de desenvolver essa atividade. O Ricardo Teixeira tem que colocar alguém do ramo, que tenha visão, perspicácia'', destaca o presidente da ANAF.

A desordem citada por ele teve início em 2008. ''Até 2007 tínhamos relação direta com a Comissão, quando o presidente era o Edson Rezende, que inclusive é meu amigo. Havia inúmeros projetos e a arbitragem estava decolando. Por problemas de saúde, ele (Edson Rezende) precisou se afastar e assumiu o Sérgio Corrêa, em 2008. A partir daí, a ANAF não tem mais relação com a Comissão, tiraram o espaço da ANAF, o que é prejudicial à classe. E o árbitro se tornou refém da situação. A Comissão não pode ter um presidente egocêntrico, que toma atitudes unilaterais'', dispara.

As recentes polêmicas de arbitragem no Campeonato Brasileiro, incluindo o afastamento do gaúcho Carlos Simon e do goiano Elmo Cunha, ambos cometeram falhas em jogos importantes do Palmeiras em acontecimentos que ganharam manchete em todo o Brasil, mostram que o momento é de questionamentos quanto à qualidade da arbitragem brasileira.

''A Comissão não protege os árbitros. Não se pode colocar o nome do árbitro na página inicial do site da CBF dizendo que ele está punido, isso desestabiliza o árbitro. Olha o Carlos Simon, que vai para a Copa de 2010. Será que a Fifa não acessa o site da CBF e vê o nome dele lá recebendo uma punição? Isso gera questionamentos'', acrescenta o presidente da ANAF.

Outro ponto discutido é a capacitação dos árbitros. ''Estamos tentando formar uma academia nacional dos árbitros, para que seja investido e se trabalhe o ano todo, os clubes por exemplo tem um calendário, o árbitro não tem calendário, faz treinamentos eventualmente, quando a Granja Comary está desocupada. Temos que trazer os árbitros para um maior período de treinamentos, aprendizado, fazer intercâmbios'', finaliza Jorge Paulo.

O gaúcho Leonardo Gaciba, eleito o melhor árbitro do Brasileirão nos últimos três anos, diz que em 2009 houve dois períodos de treinamento na Granja Comary. ''É um período onde os árbitros ficam juntos fazendo um curso de aprimoramento. Teve um no início do ano e outro em agosto'', contou.