Com o resultado, o Cruzeiro terminou a competição na nona posição, com 52 pontos. Apesar de apenas o Atlético entrar em campo ainda com um objetivo na competição, a tradicional rivalidade provocou uma partida emocionante, marcada pelo nervosismo e por ótimos desempenhos em ambos os lados do campo. Um dos poucos que teve apresentação mais discreta, ao contrário de praticamente todos os jogos que disputou, foi Ronaldinho, que chegou a deixar o campo mais cedo para a entrada de Serginho.
Com a necessidade de conseguir um resultado positivo para manter a chance de conquistar o vice-campeonato, o Atlético foi quem partiu para cima do adversário. Desde o início do jogo, o time alvinegro tentou impor o mando de campo com a ajuda da torcida, a única presente na arena, ao contrário do confronto de encerramento da primeira fase do Brasileirão, quando os ingressos foram vendidos apenas para cruzeirenses.
Mas o primeiro gol do Atlético foi resultado mais de um vacilo da defesa celeste do que do próprio futebol atleticano. Aos quatro minutos, Bernard recebeu cruzamento completamente livre na área e o meia, principal revelação do time mineiro na temporada, completou com um belo chute de primeira, sem chance para o goleiro Fábio.
O Cruzeiro, porém, na permaneceu passivo à espera dos avanços adversários. A diferença para o adversário é que, sem a obrigação de conseguir um bom resultado além do prazer de melar os planos alvinegros, o Cruzeiro tinha mais calma para jogar. A equipe também correu bastante em campo, tentando aproveitar principalmente contra-ataques e aberturas na armação atleticana.
E a estratégia quase rendeu um empate aos 20 minutos, quando Tinga tocou colocado após receber passe de Leandro Guerreiro. A bola bateu na trave, voltou para espalmada leve de Victor e ainda passou na frente de parte do ataque celeste antes de ser tirada da área pela defesa do Atlético. Só que, pouco depois, o mesmo Leandro Guerreiro quase facilita a vida do arquirrival ao fazer um pênalti em Jô. Ronaldinho cobrou, mas o ídolo bateu fraco e Fábio segurou firme.
Com maior tranquilidade, porém, o Cruzeiro valorizou a posse de bola e, apesar de as jogadas do Atlético terem mais perigo, o Cruzeiro se manteve mais no campo de ataque. Até conseguir empatar o jogo, já nos descontos do primeiro tempo. Após cruzamento na medida de Montillo, Martinuccio emendou com uma cabeceada certeira no canto esquerdo do gol. E, para desespero da torcida e equipe atleticanas, o time celeste voltou para a etapa final com o mesmo pique e, logo aos 5 minutos, Everton recebeu livre na área e tocou na saída de Victor, virando o placar.
Se o confronto já estava nervoso, a rivalidade aflorou de vez, a ponto de Tinga e Leandro Donizete serem expulsos juntos após se estranharem em campo. Mas a partida pegou fogo de vez quando, aos 15 minutos, Marcos Rocha cobrou escanteio para um toque de cabeça de Leonardo Silva. Na disputa entre Ronaldinho e Marcelo Oliveira, a bola bateu no volante celeste e entrou.
A partir do empate, os ataques se sucederam rapidamente em ambos os lados, mas quem levou a melhor foi o Atlético, aos 29 minutos, quando Réver aproveitou cobrança de lateral de Ronaldinho e, de cabeça, conseguiu virar novamente o marcador.O Cruzeiro ainda perdeu mais um jogador aos 43, quando Anselmo Ramon levou o segundo amarelo, mas a exaustão já era visível entre os atletas e a equipe alvinegra não conseguiu aproveitar a superioridade numérica. "Acho que foi um grande jogo, aberto, à altura do clássico. Vimos aqui um espetáculo à altura do futebol mineiro", disse o técnico Celso Roth, que fez sua despedida à frente do Cruzeiro.