Como era de se esperar pelo andamento da prova, Marzieh, 51 anos, cumpriu os 5 quilômetros com o pior tempo entre todas as participantes. No final, ganhou o apoio de sua colega, que correra horas antes e também não chegara próximo do pódio. A grande competição da dupla, porém, começa neste sábado.
Sem falar uma palavra sequer em português ou de qualquer outra língua que não seja o persa, Marzieh e Rhouri tiveram o auxílio de Marisol Paccier, atleta da Bolívia, desde que se encontraram por acaso no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. Para ajudá-las, Marisol, que também participa do Mundial, antecipou sua passagem para Porto Alegre e, desde então, vem sendo uma espécie de guardiã da dupla. Agora, contudo, ela regressa para Cochabamba. “Não sei o que vai ser das duas. Tenho muita pena, porém não posso fazer mais nada. Tenho de voltar para casa, pois trabalho”, lamenta a boliviana.
Marisol conta que Marzieh e Rhouri despertam às 4 horas todos os dias. E imediatamente batem na sua porta — elas estão no mesmo hotel, no Centro Histórico de Porto Alegre. A dupla faz o café da manhã, assim como todas as demais refeições do dia, usando só alimentos trazidos do Irã na bagagem. “Quando peguei a mala delas, achei que estavam carregando peso ou qualquer outra coisa”, diz Marisol.
Reconhecê-las nos locais das provas é fácil: elas estão permanentemente com a cabeça coberta e não usam qualquer material esportivo, com exceção do tênis. Depois do embarque da boliviana, as iranianas, que vão disputar outras provas no Mundial, estarão ao dispor da própria sorte. Até o dia 27, quando regressam para seu país.