Aeronáutica Civil da Colômbia divulgou, nesta sexta-feira, o relatório com as conclusões sobre o acidente com o avião da Chapecoense - que matou 71 pessoas e deixou seis feridas. De acordo com a investigação, 40 minutos antes de cair, o avião já estava em situação de emergência e a tripulação não acionou o controle de tráfego para pedir prioridade no pouso.
"(Quarenta minutos antes do acidente) houve na cabine da aeronave uma indicação do nível de combustível baixo. Neste momento, o avião já estava em uma situação de emergência", comentou o coronel Miguel Camacho, chefe do grupo de investigações de acidentes da Aeronáutica Civil da Colômbia.
Além disso, como já havia sido apontando em relatório preliminar, a aeronave LMI 2933 estava com pouco combustível. Para realizar a rota Santa Cruz-Rio Negro as normas internacionais exigem quantidade mínima de 11.603 quilos de combustível, o avião da LaMia tinha apenas 9.300 kg - 2.303 quilos a menos do que o determinado.
A investigação - que contou com autoridades e instituições da Colômbia, Bolívia, Brasil, Estados Unidos e Inglaterra - ressaltou ainda que a tripulação e a empresa - mesmo sabendo que a quantidade não era suficiente - não optaram por aterrizar em outro aeroporto. "A tripulação descartou pousar em Bogotá ou outro aeroporto para reabastecer", destacou o documento.
O relatório também conclui como causa para o grave acidente a falta de organização da LaMia, a falta de escala no plano de voo, a difícil situação econômica pela qual a empresa passava, problemas na gestão de segurança operacional e a falta de cumprimento das políticas de voo.
A investigação libera os controladores de tráfego aéreo de Rio Negro de qualquer responsabilidade. As primeiras investigações revelaram que o avião estava com pouco combustível e com excesso de peso. O piloto, que também faleceu na queda, foi responsabilizado e uma dezena de funcionários da companhia aérea e do Estado estão presos na Bolívia.
O acidente
Em 28 de novembro de 2016, o avião, que havia decolado da Bolívia, caiu em Cerro El Gordo, a cerca de 2.600 metros de altura. A aeronave estava prestes a aterrizr no aeroporto internacional de Rionegro, destino final, quando houve o acidente.
A Chape estava indo para sua primeira final internacional contra o Atletico Nacional pela Copa Sul-Americana. Na queda, 71 pessoas perderam a vida, incluindo 19 jogadores, 14 membros da comissão técnica e nove diretores do clube. Apenas seis sobreviveram: uma comissária de bordo, um técnico de aviação, um jornalista e três jogadores.
Avião da Chape estava em situação de emergência 40 minutos antes de cair, aponta relatório
Aeronáutica Civil da Colômbia ressalta ainda que aeronave não tinha combustível suficiente para realizar o trajeto com segurança