Estas certezas, difundidas no coração do Camp Nou, foram colocadas à prova alguns dias depois das recentes declarações de Messi sobre seu futuro na Catalunha. Na segunda-feira, poucas horas antes da cerimônia de entrega da Bola de Ouro, o argentino surpreendeu ao dizer que não sabe onde estará na temporada seguinte.
Em seguida, tentou acalmar os ânimos ao ver a proporção que haviam tomado essas palavras. "Não importa o que eu diga, sempre acabam distorcendo. É por isso que muitas vezes eu não falo nada. Não estou pensando em sair", explicou.
No domingo anterior à escolha da Bola de Ouro, o atacante havia desmentido que poderia deixar seu atual clube, classificando de "mentirosas" as informações de alguns veículos da imprensa que garantiam que seu pai negociava com Chelsea e Manchester City.
Ninguém sabe muito bem o que Messi pretende, mas qualquer gesto do craque é interpretado das maneiras mais diversas, como quando decidiu na semana passada seguir o perfil do Chelsea na rede social Instagram, ou quando votou em José Mourinho, técnico do clube londrino, como terceiro melhor técnico do mundo, atrás de Alejandro Sabella (ex-técnico da Argentina) e Pep Guardiola (Bayern de Munique).
As indiretas parecem estar relacionadas ao estado de espírito do argentino, após um ano de 2014 complicado no plano pessoal, entre lesões e problemas com a Receita Federal espanhola, e esportivo, sem títulos e com uma final de Copa do Mundo perdida (1-0 para a Alemanha).
Apesar dos rumores de desentendimento com Luis Enrique, Messi recebeu elogios de seu técnico na segunda-feira em Zurique, em uma mensagem de vídeo gravada antes da entrega do prêmio. A relação entre craque e técnico teria esfriado de vez depois da derrota para a Real Sociedad, há nove dias, quando o argentino começou a partida no banco, entrando apenas no segundo tempo.
Para os dirigentes catalães e o mandatário Josep Maria Bartomeu, a situação é fonte de preocupação num clube que atravessa uma crise interna e que antecipou as eleições presidenciais para o fim da atual temporada. Além da falta de títulos, o clube sofre com uma punição da Fifa, que proíbe contratar novos jogadores até 2016, o que resultou na demissão do diretor esportivo Andoni Zubizarreta e na entrega de cargo de seu auxiliar, o ex-capitão Carles Puyol.