O comandante do 11º Batalhão de Polícia Militar (BPM), coronel Eduardo Biacchi Rodrigues, afirmou que ainda não recebeu nenhuma denúncia de um possível exagero da Brigada, mas que está apurando o caso para a abertura de inquérito. “Ficamos sabendo dessa situação, de que alguém teria se lesionado, pelos meios de comunicação. Fomos na central de atendimento do estádio, mas ninguém havia sido atendido lá. Não recebemos nenhuma denúncia em nosso Batalhão e estou indo atrás para localizar a pessoa”, comentou.
O coronel garantiu que o caso será apurado pela BM e que, se houve excesso, os policiais serão punidos. “Como comandante, tenho o dever de apurar o caso com transparência. Não tem como acobertar, pois minha conclusão vai ser analisada pelo o comandante geral da BM. Depois, ainda vai para um promotor do Ministério Público, e esse pode produzir ou não denúncia para julgamento no Poder Judiciário. E posso dizer que o código penal militar é muito rígido”, contou.
O relato passado pelo Batalhão ao coronel é de que um grupo de cinco policiais teria iniciado a liberação de uma das vias próximas à Arena, que estava tomada por torcedores. Alguns integrantes da torcida estariam mais exaltados e arremessaram objetos em direção à corporação.
“As versões são variadas, por isso é necessária a apuração. Sei que houve o confronto com os policias. Eram centenas contra a BM. Daí os policiais tiveram que usar um recurso físico para conter a violência”, contou. Um dos torcedores relatou que levou um tiro de bala de borracha no nariz, a um centímetro do olho esquerdo. “Essa arma tem que ser usada da cintura para baixo. Mas aí depende da investigação, pois o ferido poderia estar agachado. Tem que apurar. Esses recursos devem ser usados como efeito psicológico para dispersar a multidão e defender a polícia”, ressaltou Rodrigues.
Relatos
O gerente de TI Marcelo Minghelli, de 36 anos contou que viu uma correria num dos bares. “Vi uma comoção e os brigadianos correndo para um bar, de onde saem oito ou mais policiais arrastando um torcedor. Não sei o motivo”, disse. “Após isso, ocorreu o que sempre acontece: vaias e gritos contra o abuso. Com isso começam a chegar mais policiais a pé, de viatura e a cavalo, de armas em punho.Em segundos, começam os disparos de bala de borracha. Indiscriminadamente”, completou.
O advogado Adriano Tartari de 37 anos, contou que ficou ferido na confusão. “Levei um tiro de bala de borracha no nariz, a um centímetro do meu olho esquerdo. Registrei ocorrência ontem mesmo e hoje fiz exame de lesão corporal com o perito técnico. Estou muito bem, mas poderia nesse momento estar cego”, lamentou.
Os depoimentos dos torcedores indicam que a BM teria tentado dispersar os torcedores, que estavam aglomerados na rua. “Estávamos todos em frente ao bar cantando e pulando, quando se aproxima a viatura e todos que estavam dentro dela desceram já esculachando o pessoal. Um policial disse: 'Tu não viu a viatura, não?' O torcedor respondeu: ‘Não vi, não tô fazendo nada’. E assim começaram a pressionar o torcedor, que não reagiu”, relatou Érisson Oliveira.
Alguns, entretanto, optaram por não se identificar. “Ouvi alguns estampidos. Por ser por volta de 21h30min, pensei que poderia ser foguetório. Mas, quando olho pra trás, vejo um corre-corre generalizado. Tentei manter a calma quando a correria começou a vir para o nosso lado. Vi que era aproximadamente dez policiais atirando balas de borracha para todo o lado. Não vi e nem ouvi nenhuma confusão entre torcedores ou hostilidade, até a BM entrar em ação. Minha afilhada começou a chorar e resolvi sair dali”, relatou um homem que preferiu não revelar o nome.