A cidade de São Caetano do Sul completa 133 anos nesta quarta-feira sem grandes motivos para festejar no que diz respeito ao futebol. Depois de surpreender o Brasil com uma ascensão meteórica em 2000, a Associação Desportiva São Caetano não apresenta mais a força do passado. Atualmente na Série B do Campeonato Brasileiro, o clube vive dias de incerteza por causa do desentendimento entre dirigentes e a prefeitura, além de não contar mais com um estádio capaz de receber grandes jogos - parte do Anacleto Campanella está condenado por falta de manutenção.
A situação do São Caetano vai além da falta de verba ou de bons jogadores. Desde a morte do prefeito Luiz Olinto Tortorello, em dezembro de 2004, a equipe passou a não ser tratada como prioridade pela prefeitura. O atual governante da cidade, José Auricchio Júnior (PTB), no cargo desde 2005, decidiu priorizar outros setores para investimentos. Mas o que causou atrito com os dirigentes do clube, em especial com o presidente Nairo Ferreira de Souza, foi o fato de Auricchio ter decidido administrar os centros esportivos da cidade.
A prefeitura de São Caetano seguiu uma determinação do Tribunal de Contas do Estado (TCE), em 2009, para gerenciar os 16 centros esportivos da cidade até o final deste ano. Dentre eles está o AD São Caetano, em que Nairo tem mandato até o fim de 2012 (o dirigente está no cargo desde 1996). A sede do clube, localizada no bairro Cerâmica, voltará ao controle da prefeitura, que é a dona do terreno e Nairo continuará como presidente, mas sem o controle das estruturas.
O presidente do São Caetano afirmou que gostaria de um acordo com a prefeitura para continuar com a sede destinada apenas aos associados. "Existem muitos clubes com um bom número de associados, como o São Caetano – cerca de 4 mil, que pagam R$ 40 de mensalidade. Espero que os comandantes passem a dar todas as condições para a manutenção da estrutura – a prefeitura já paga a água e a luz do local. Grande parte do que está lá foi construído pela nossa administração.
"Os dirigentes do São Caetano reclamam que Auricchio não dá apoio ao clube. De acordo com eles, a única vez que o prefeito esteve no Anacleto Campanella para acompanhar um jogo foi "com a camisa do Palmeiras" (no Paulistão de 2009). Por meio de nota, a assessoria de imprensa de Auricchio negou o desentendimento com Nairo. O secretário de Esportes e Turismo, Mauro Chekin, tentou defender o bom relacionamento entre Prefeitura e clube. "O São Caetano continuará a ter sua sala mesmo com a municipalização. Não acabará nada. O que vai mudar é que todos poderão utilizar a estrutura, sem a necessidade de ser sócio. Falam que o prefeito não gosta de futebol, mas não é bem assim. Ele administra muito bem a cidade e sempre está aberto aos diálogos."
Chekin, porém, não perdeu a chance de fazer críticas à administração de Nairo. "O clube precisa voltar a ter apelos maiores. O São Caetano tem muitos jogadores distribuídos pelo Brasil e não monta um time para subir de novo porque é conveniente. Não vou para a Série C e não tenho a intenção de subir... Compreende? Se a equipe der condições novamente (voltar à Série A do Brasileiro), fica mais fácil para fazer investimentos."
Novo barueri?
A mudança de sede do Barueri para Presidente Prudente após uma briga entre os dirigentes e a prefeitura local foi surpreendente. Nairo, no entanto, afirma que o São Caetano não seguirá este caminho, apesar dos boatos que correm pela cidade. "A situação de Barueri foi outra. O São Caetano nasceu aqui (há 21 anos) e vai morrer aqui. Muitos boatos pela região falaram que a gente sairia, mas não é isso. Sempre procuramos ser parceiros da prefeitura e vamos seguir nesta linha."
Chekin também ouviu os boatos e afirmou que está preocupado com o futuro. "Só o Nairo pode definir isso. Onde há fumaça há fogo. E acredito que tem algum fogo por baixo dessa brasa. Reformar o estádio é custoso para a prefeitura e a municipalização dos clubes não será alterada. O que o Nairo tem de entender é que o São Caetano não é mais o clubinho dele. O futebol do São Caetano coloca o nome da cidade na mídia, é verdade, mas não temos a temeridade de perder o clube."
Briga política deixa São Caetano com futuro incerto
Clube vive dias de incerteza por causa do desentendimento entre dirigentes e a prefeitura