Caio Bonfim se emocionou em sua primeira entrevista após conquistar a medalha de ouro na Marcha Atlética de 20 km, no Mundial de Atletismo, em Tóquio. O brasiliense de 34 anos fez revelações, agradeceu o apoio dos pais e se emocionou ao falar dos filhos, que foram sua maior motivação. Ele começou a entrevista com uma confissão bem-humorada:
"Minha aliança caiu no terceiro quilômetro. Pensei: minha mulher só vai me perdoar se eu for campeão".
Caio descreveu sua jornada na prova como um "Mundial de resiliência". Ele contou que só percebeu que estava em primeiro lugar quando entrou no estádio. “Cresci bastante no 13 quilômetros, fui ultrapassado e depois cresci de novo. Foi o Mundial de resiliência. Eu dizia: não desista. Não desista. Eu achava que estava em segundo e com medo de perder o pódio achando que o chinês e o espanhol iam brigar ali no fim. Não sabia que o Yamanishi não estava, não o vi entrar no pit Lane", disse.
O apoio da família
O campeão também relembrou o momento em que tranquilizou sua mãe, que estava preocupada por ele estar fora do pelotão de elite no início da prova. "Pedi calma porque estava em bom ritmo. Sabia que precisava ter fôlego no fim." Ele explicou que sentia que estava no controle, mesmo que o esforço fosse grande.
Ao cruzar a linha de chegada e abraçar a mãe, um filme passou por sua cabeça, com memórias desde a infância, vendo campeonatos mundiais pela TV, e suas próprias conquistas.
"Minha mãe, oito vezes campeã brasileira, eu vivo neste ambiente de esporte. Hoje disse que somos campeões do mundo. Eu ainda não entendi nada. Mas valeu a pena", disse Caio, que agora tem quatro medalhas em mundiais.
Por fim, o atleta agradeceu o apoio de patrocinadores, da Força Aérea Brasileira e da Confederação de Atletismo. No próximo ano, o Mundial de Marcha Atlética será realizado em sua cidade natal, Brasília, por sua causa.