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Campeonato gaúcho de futebol feminino começa neste domingo

Categoria enfrenta vários obstáculos, mas sem perder o amor pelo esporte

Categoria enfrenta vários obstáculos, mas sem perder o amor pelo esporte
Categoria enfrenta vários obstáculos, mas sem perder o amor pelo esporte Foto : Ricardo Giusti
O sonho de se tornar uma grande estrela do futebol feminino brasileiro nunca esteve tão perto de se realizar no Rio Grande do Sul. O início do Campeonato Gaúcho de Futebol Feminino 2017 neste domingo é um dos primeiros passos de várias meninas nas suas carreiras. Realizado ininterruptamente desde 2008 pela Associação Gaúcha de Futebol Feminino (AGFF), que é responsável pela organização e chancelada pela Federação Gaúcha de Futebol (FGF), a competição procura proporcionar que a paixão pelo esporte também seja disputada igualmente entre as mulheres, como ocorre entre os homens desde a invenção do futebol.

Várias gaúchas que entram em campo neste domingo mantém viva a esperança de presenciar que a modalidade seja um dia tão idolatrada, e profissional, como acontece com o masculino. Para gerente de futebol do Inter, Duda Luizelli, esta nova geração de jogadoras poderá colher muitos frutos que estão sendo conquistados aos poucos no País. “Eu acho que o futebol feminino veio pra ficar. É uma realidade. Eu acho que hoje todos os times estão se preparando fortemente para jogar esse campeonato gaúcho”, afirmou. “Com certeza terá cada vez mais meninas jogando, cada vez mais meninas com potencial jogando e certamente aparecerão não só grandes times, mas também grandes revelações e quem sabe, um dia, poderão jogar em grandes clubes, não só no Grêmio e Inter. São Paulo, no Rio, onde realmente valorizam o futebol feminino”, projetou. 

O futuro da profissionalização da categoria feminina se aproxima com a nova definição da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol). Em setembro de 2016, foi anunciado que a partir de 2019 os times que disputarem a Copa Libertadores e a Copa Sul-Americana só poderão participar dos torneios se também tiverem uma equipe feminina. Com essa nova regra, o futebol feminino só tende a crescer no País.

A técnica do Grêmio, Patrícia Gusmão, acredita que esta nova regra que atinge os times brasileiros é a oportunidade do futebol feminino conquistar mais espaço e direitos no esporte. “Eu acredito que isto vai ajudar bastante. O Grêmio participou do Campeonato Brasileiro e o Inter abriu o departamento feminino. Acho que os clubes também vão dar mais importância e vão divulgar o futebol feminino. Tem tudo para que no ano que vem as meninas possam viver só do futebol”, declarou. “É uma evolução que está vindo! Eu que estou no futebol há 20 anos, isto vai ser um passo muito importante. Para quem não teve a carteira assinada, como eu, e está na luta com estas meninas, esperar alguns meses, não vai ser problema”, acrescentou. 

Foto: Ricardo Giusti 

Gauchão feminino

Segundo o presidente da AGFF, Carlos Alberto de Souza, mais conhecido como Professor Neco, o campeonato, apesar de não ser tão divulgado, já chegou a contar com 45 equipes em uma edição e hoje possui até estadual Sub-15 e Sub-17, com 11 times em cada categoria. “O campeonato gaúcho feminino ele existe já há muito tempo. Foi organizado pela Federação Gaúcha de Futebol e aí teve uma parada, e tentou recomeçar em 2003, mas não teve muito sucesso e aí parou total. Em 2008, eu tive a ideia de fundar a associação, e através dela, buscar parcerias com o Governo do Estado, facilitar normatizar a participação das equipes e das atletas, e tentar uma formatação diferente do que vinha acontecendo no Brasil”, explicou.

O Campeonato de Futebol Feminino Sub-15 encerrou sua temporada em julho coroando o Mundo Novo, de Três Coroas, que derrotou o Inter na final por 2 a 0. A categoria Sub-17 terá sua final neste sábado com Inter e Pelotas. 

Para Patrícia, o futebol feminino gaúcho está atrasado em comparação aos outros estados brasileiros. Entretanto, ela espera que o campeonato seja uma oportunidade de unir os times do Sul no esporte. “Eu acredito que o campeonato gaúcho deste ano será muito mais forte e terá muito mais estrutura do que nos anos anteriores. A modalidade está crescendo tanto e acho que o Estado tem que acompanhar este crescimento”, disse a treinadora gremista.

De acordo com  Duda, o que falta é um patrocinador para alavancar a modalidade que já possui tantos torcedores. “No futebol feminino, neste momento, a bola tá quicando dentro da área. Estamos em busca de um grande patrocinador que compre a ideia do futebol feminino. Hoje, no nosso Instagram e Facebook, a gente chega a ter 200 mil visualizações por postagem. É um número muito expressivo com pessoas que gostam do futebol feminino”, disse.

Com sua experiência em marketing esportivo, o Professor Neco viu no futebol feminino uma oportunidade de criar em um produto assim como é o masculino. Porém, a modalidade ainda precisa vencer outros desafios para ser tornar grande. “No Brasil, as mulheres que querem jogar o futebol, mas é um sonho voltado mais no futebol masculino. O feminino carece de um maior apoio institucional. Ele merece um apoio federal para que isso realmente se crie nos moldes do futebol masculino”, declarou. “O mercado é enorme, mas ele não foi fomentado. As meninas que jogam, com certeza, se elas se dedicarem e não desistirem, elas terão um retorno como atleta de futebol”, disse. “O momento é agora que os dirigentes encorajem e fundem clubes de futebol feminino e a, partir daí, começar a pensar realmente o futebol feminino como um produto, como forma de autossustentação”, acrescentou.