Mesmo alcançando o seu primeiro índice olímpico nos 100 metros livre, César Cielo não conseguiu classificação para os Jogos Olímpicos do Rio nesta prova. Ele marcou 48s97 ao nadar a eliminatória do Troféu Maria Lenk, no Rio, na manhã desta segunda-feira. A marca, dois centésimos abaixo do mínimo necessário, foi pior do que as de outros seis nadadores brasileiros, que terminaram as seletivas com índice melhor. Cielo abriu mão de disputar a final para se preservar para sua especialidade, os 50 metros livre, que será disputada nesta quarta. É a última chance de Cielo garantir a sua vaga nos Jogos do Rio-2016.
Medalhista de bronze dos 100 metros livre em Pequim-2008, Cielo não tinha muitas esperanças de conquistar a vaga para a prova individual deste ano. Sua meta nesta segunda-feira era, além de atingir o índice olímpico, ficar pelo menos com a quarta melhor marca entre os brasileiros, o que asseguraria uma vaga na equipe de revezamento. Mas o tempo registrado na eliminatória foi apenas o quinto entre os nadadores que estão no Maria Lenk - e o sétimo se considerados os índices da primeira seletiva, em dezembro passado.
Exausto após deixar a piscina, Cielo decidiu que vai "focar nos 50 metros". Apesar disso, ele vibrou com o índice olímpico, já que a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) tem autonomia para formar o quarteto do revezamento e, em tese, ele ainda pode ser escolhido. "Vou falar com os técnicos. É decisão deles de me colocar ou não. Estando no time eu estou disposto a nadar, estou disposto a ajudar".
Mas os dirigentes não dão muitas esperanças para o nadador. "A gente deve seguir o índice", afirmou Ricardo de Moura, diretor executivo da CBDA. "Isso tudo nós vamos definir com os atletas numa reunião na sexta-feira".
O Brasil tem a opção de levar até dois reservas para a disputa do revezamento. Essa decisão, porém, precisa ser muito bem analisada pela comissão técnica porque, a partir dos Jogos Olímpicos deste ano, todos os atletas que forem convocados precisam disputar pelo menos uma prova na Olimpíada.
"A gente sempre trabalhou com a possibilidade de seis (convocados). Um número mais concreto para o Brasil eram cinco, para não dar um tiro no pé depois", disse Alberto Silva, técnico da seleção brasileira, na semana passada. "Tendo o Cesar nadando para 47s e os outros nadando bem, a chance de levar seis aumenta. Fora isso, a gente volta a falar em cinco".
Como Cielo passou longe dos 47s na prova desta segunda-feira, ele só deverá ter espaço na equipe de revezamento se conquistar a vaga individual para a prova dos 50 metros livre, que estará em jogo nesta quarta. Neste caso, como ele já estaria na Olimpíada, a decisão de escalá-lo ou não nos 4x100 metros seria meramente técnica. Mas, nos bastidores, ninguém acredita que a CBDA tomaria essa decisão nos Jogos.
Assim, a provável equipe do Brasil para o revezamento nos Jogos Olímpicos será formada Marcelo Chierighini (48s20), Nicolas Nilo (48s30), João de Luca (48s59) e Matheus Santana (48s71), que conquistaram os melhores tempos. Coincidentemente, a final desta segunda-feira dos 100 metros livre do Troféu Maria Lenk terminou nessa ordem.
Entre os quatro, existe uma certeza de que estarão nos Jogos. João de Luca, porém, fez campanha para que Cielo também seja convocado. "O Cesão, na natação, é o maior ídolo que tem. A gente precisa dele".
Cesar Cielo fica fora dos 100m livre no Rio-2016
Última chance do nadador de ir aos Jogos do Rio é nos 50m livre