A incômoda sequência de jogos sem triunfos do Santos neste início de temporada ganhou mais um episódio. Nesta quarta-feira, depois de flertar com o triunfo ao virar para 2 a 1 no segundo tempo, o time levou três gols da Chapecoense em 17 minutos, largou com revés de 4 a 2 no Brasileirão e chegou ao quinto tropeço seguido no ano. O retorno da Chape à elite, por sua vez, foi de festa para a Arena Condá.
Gabigol foi poupado no gramado sintético de Chapecó para estar em condições em duelo com conotação decisiva no MorumBis, já que ambos estão fora da zona de classificação. Chance para Miguelito. Rolheiser e Barreal também foram preservados, ficando na reserva. Ciente da força de muitos concorrentes no Brasileirão, o técnico Juan Pablo Vojvoda sabia, entretanto, que não poderia desperdiçar pontos diante de um dos caçulas na elite. E a ordem era se recuperar na temporada, na qual amarga quatro tropeços em sequência no Estadual.
O começo foi promissor, com o rápido e atrevido Miguelito aparecendo bem em jogadas pelo esquerda. Faltavam aos companheiros complementarem as jogadas do atacante. Gabriel Menino, na primeira finalização santista, mandou na rede pelo lado de fora. A Chapecoense, mesmo em casa, apenas buscava os contragolpes. E no primeiro deles, que começou com lindo chapéu, Ítalo foi derrubado por Gabriel Brazão. Pênalti cobrado 'estilo Jorginho' pelo argentino Walter Clar e ainda mais pressão nos santistas.
Rapidamente os chuveirinhos viraram a tática de um Santos pobre em repertório e carente de nomes de peso. Lautaro Díaz acertou o travessão em cabeçada livre. Antes do intervalo, os desgostosos santistas já pediam, em coro, a entrada de Robinho Júnior no ataque. Mas se acalmaram com Gabriel Menino mandando no ângulo para empatar antes do intervalo.
Vojvoda mostrou sua insatisfação com o rendimento ruim do Santos ao voltar do descanso com o titular Barreal na vaga do apático Caballero. Queria aumentar a ofensividade diante de um defensivo adversário - tirando o pênalti, a Chapecoense não finalizou mais na etapa inicial. A blitze nos primeiros minutos da fase final era grande e os santistas se animaram nas arquibancadas.
Miguelito soltou a bomba e arrancou o 'uh' da galera. Já Lautaro mandou para fora. A virada parecia questão de tempo. Com a Chapecoense sufocada, Gilmar Dal Pozzo optou por colocar mais peças no ataque para tentar diminuir o ímpeto do Santos, que mesmo carente de uma melhor qualidade na armação e nas conclusões da jogada, chegava a todo tempo na frente de Léo Vieira.
Bastou a bola cair no pé de Barreal, porém, para vir a virada, em batida indefensável. Quando a torcida da Chapecoense começou a cantar para lembrar das 71 vítimas do acidente aéreo que completa 10 anos neste ano, Higor Meritão apareceu na área para empatar. Celebrou apontando aos céus. O que parecia improvável, aconteceu aos 34, quando Ítalo bateu, a bola desviou em Luan Peres e sobrou para Jean Carlos cabecear e recolocar os mandantes na frente do placar. Ainda deu tempo para Rafael Carvalheira ampliar.