Esportes

Clubes reagem a MP contra bets; patrocínios podem ser revisados

Empresas de apostas esportivas alertam que propostas do governo podem forçar a reavaliação de contratos com equipes da Série A do Brasileirão

Empresas de apostas esportivas alertam que propostas do governo podem forçar a reavaliação de contratos com equipes da Série A do Brasileirão
Empresas de apostas esportivas alertam que propostas do governo podem forçar a reavaliação de contratos com equipes da Série A do Brasileirão Foto : Mauro Schaefer / CP Memória

A reação dos clubes e federações de futebol a rumores de que o governo pretende tomar "medida drástica" contra as bets saiu depois de as empresas de apostas avisarem os times e entidades esportivas que a decisão vai forçá-las a rever contratos de patrocínio. Hoje, 13 dos 20 times da Série A do Brasileirão têm contratos com empresas de apostas. A própria competição é patrocinada pela Betano, uma das principais empresas do setor.

As plataformas de apostas chegaram a patrocinar 19 dos 20 clubes da primeira divisão. O número caiu, mas elas ainda dominam o futebol brasileiro e injetam mais de R$ 1 bilhão nos contratos de patrocínio com as equipes da elite. Clubes manifestaram preocupação às patrocinadoras quando leis municipais passaram a proibir a exibição de marcas de bets em espaços públicos, como estádios. As restrições foram adotadas em cidades como Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte.

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Manifestação contra MP do governo

A expectativa é de que a medida seja publicada e enviada ao Congresso Nacional nos próximos dias, ainda antes do 1º turno das eleições. Mesmo sem que estejam definidos quais serão os termos dessa MP, os clubes e as federações divulgaram, nesta quinta-feira, um manifesto no qual se dizem preocupados com os "rumores" e que, caso eles se confirmem, será golpe fatal para o futebol brasileiro, que sofrerá colapso, segundo as agremiações. "A consequência não será apenas uma porta escancarada para as apostas clandestinas, mas um golpe fatal para o futebol brasileiro, levando muitos clubes à insolvência", diz o texto divulgado por alguns dos principais clubes do País, entre eles o Grêmio, Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Flamengo.

Contratos podem ser revistos

Representantes de empresas de apostas afirmam que a maioria dos contratos de patrocínio com clubes possui cláusulas que permitem revisões em caso de mudanças significativas nas regras do setor. Essas cláusulas poderão ser acionadas caso o governo confirme medidas que afetem o faturamento das empresas. Segundo representantes do setor, os clubes já foram informados sobre a possibilidade.

As bets também cobram uma posição da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que tem tratado o assunto com cautela. As empresas mantêm acordos comerciais com a entidade, aparecem em transmissões de emissoras e também possuem parcerias com torcidas organizadas. Executivos do setor defendem a realização de estudos sobre os impactos econômicos e jurídicos antes da adoção de eventuais restrições.