Hierro, que obteve liberdade provisória em maio, afirmou que é um crítico desses incentivos e subsídios e que sempre fez campanha para que os torcedores serem sócios do Inter, para evitar a dependência dos dirigentes. Ele relatou, ainda, que vê esse tipo de atitude como agravante dos casos de violência nas arquibancadas.
"Um clube nunca leva a sério os alertas de violência e acha que a maneira de controlar uma torcida é dando subsídios", enfatizou Hierro. "Ficar atrelado a isso traz muito problema, pois se torna uma bola de neve que não se consegue administrar. Tive muito conflito por ser contra isso, pois o pessoal não quer pagar, quer tudo de graça", argumentou o ex-chefe da Guarda Popular.
Hierro não negou participação na briga, supostamente protagonizada por ele, no jogo de despedida do atacante Fabiano, no Beira-Rio, mas frisou que os acontecimentos tiveram antecedentes e foram retratados de maneira diferente da realidade. "Eu estava junto e sabia que alguma punição eu deveria responder. Mas por eu ser o líder máxima da maior torcida do Beira-Rio, até do Rio Grande do Sul, me pegaram para Cristo, para usar como exemplo", salientou. "E estou vendo que o exemplo não serviu como a polícia, a Justiça e o próprio clube previam, pois as brigas continuam. Acho até que mais frequentes. Tenho notícia de confrontos maiores, com gente tendo traumatismo craniano e afundamento de maxilar", disparou.
Ele também criticou a imprensa, que para ele fez uma perseguição para prendê-lo o que, na sua visão, contribuiu para autoridades quererem se promover com o caso. "Cooperei com a Justiça, identifiquei as pessoas nos vídeos, mas o que poderia me ajudar na situação não era prioritário. Por parte da delegada, o objetivo era usar o inquérito para me prender", comentou.
"Tenho conhecimento de que o Inter disponibilizou imagens à justiça, pois tinha contato direto do diretor responsável e ele me falou que seriam suspensas ambas as torcidas, tendo sido encaminhadas as imagens de uma briga anterior e do jogo da despedida do Fabiano", acrescentou. O ex-chefe de torcida ainda fez mais uma crítica contra a delegada responsável pelo caso. "Parece que o nome Hierro Martins iria alçá-la a voos que ela nunca havi alçado", ponderou.
Depois da confusão em dezembro de 2011, Hierro foi detido após o Carnaval de 2012. Sua soltura foi determinada, em maio, mediante o cumprimento das seguintes condições: proibição de participar de qualquer torcida e de frequentar estádios de futebol, devendo permanecer a uma distância de, no mínimo, 100 metros deles. Além disso, ele só poderá sair de casa para trabalhar das 7h às 19h, devendo permanecer em seu domicílio nos dias de folga. Também deve comprovar à Justiça, mensalmente, que mantém residência e emprego fixos.
Na decisão em que converteu a prisão preventiva nas medidas cautelares a serem cumpridas pelo réu, o juiz considerou o tempo decorrido, as razões expostas pela defesa e a situação atual dos presídios. Em caso de descumprimento, o acusado pode voltar a ser preso.
Hierro foi denunciado pelo Ministério Público por tentativa de homicídio, depois de se envolver em uma briga no jogo de despedida do ex-jogador Fabiano Souza, ocorrido em dezembro de 2011, no Beira-Rio. Na ocasião, três torcedores foram esfaqueados. A tentativa de homicídio foi flagrada pelas câmeras de segurança do Beira-Rio.
Os outros dois torcedores conhecidos como Maninho e Bodão também foram indiciados e impedidos de comparecer a qualquer evento relacionado ao Inter. O ex-líder da Guarda Popular chegou a ser procurado pela Polícia Civil, Federal e pela Polícia Internacional (Interpol) após procurar abrigo junto a torcedores de clubes argentinos.