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Colorados e gremistas acreditam em clima tranquilo para Gre-Nal de torcida mista

Iniciativa quer barrar a violência no clássico deste domingo

Jossiano Leal e a advogada Roberta Schaun terão a possibilidade de assistir ao primeiro Gre-Nal juntos
Jossiano Leal e a advogada Roberta Schaun terão a possibilidade de assistir ao primeiro Gre-Nal juntos Foto : Carmelito Bifano / Especial / CP
O Gre-Nal 404 deste domingo no Beira-Rio, 18h30min, terá uma grande atração fora do campo. O clássico reservará um setor com torcida mista, onde 2 mil colorados e gremistas poderão assistir ao jogo juntos. A iniciativa visa dar resposta à violência, que ajudou a diminuir nos últimos anos o espaço para torcida visitante no maior clássico gaúcho. 

A possibilidade empolgou casais de gremistas e colorados. Noivos há três anos, o analista de sistemas Jossiano Leal e a advogada Roberta Schaun terão a possibilidade de assistir ao primeiro Gre-Nal juntos. “No momento em que abriu a venda, comentei: ‘essa é a chance para irmos juntos ao estádio’”, contou Jossiano, colorado.

A mesma expectativa vivem o representante comercial Rafael Moraes e a relações públicas Paula Souza. Frequentador assíduo do Beira-Rio, Rafael deixou de ir a Gre-Nais como visitante por questões de segurança. Pelo mesmo motivo, a namorada Paula não iria ao clássico deste domingo não fosse o setor misto.

Ele destaca que o clima gerado pela iniciativa dá segurança para quem vai ao clássico deste domingo. “Nesse setor misto eu levaria meu pai, vou levar minha namorada. O colorado que está levando sabe que pode tomar uma flauta, uma corneta, da mesma forma que o gremista tem essa consciência. Como lá no Inter tem que assinar um termo de responsabilidade, creio que será bastante tranquilo”, afirmou.

Amigos juntos no Beira-Rio
O setor com torcida única também será uma oportunidade para amigos de longa data irem juntos ao clássico. O gremista Gabriel Teitelbaum e o colorado Victor Grunberg se conhecem desde criança, foram a jogos da Seleção Brasileira e fora do País juntos, mas sempre ficaram separados no Gre-Nal.

Gabriel destaca que costuma ir à Arena ver o Grêmio, mas que nunca foi ao Beira-Rio. Agora terá a chance de acompanhar o time no clássico como visitante. “Eu costumo ir a todos os jogos em casa. No Gre-Nal normalmente eu não vou pela questão de violência e do tratamento, da dificuldade. Com essa iniciativa me interessei por ir de novo”, contou Gabriel.

Além dos amigos, irão juntos ao clássico o pai de Gabriel, Eliezer Teitelbaum e um primo, Roberto Lejderman. A expectativa é de encontrar um clima cordial dentro do estádio. A preocupação existe apenas com a chegada. No entanto, Victor Grunberg, espera que o Gre-Nal desse domingo repita o sucesso do Caminho do Gol da Copa do Mundo.

“Nós ainda estamos decidindo como será a logística da chegada ao estádio. Se for possível conseguir fazer o Caminho do Gol como na Copa do Mundo, será o ideal. Creio que vai ser um clima muito família. Algumas pessoas vão se exaltar um pouco mais, mas quanto a isso estou bastante tranquilo porque o clube se certificou bem na hora de fazer os cadastros dos torcedores”, afirmou.

Diferente do amigo, Victor costuma ir aos clássicos como visitante. No entanto, ele garante que as dificuldades o incomodam e que espera que no próximo Gre-Nal na Arena a iniciativa possa se repetir para que Gabriel possa retribuir o convite. “Sempre fui a Grenais fora de casa. Ia para apoiar o time, mas achava ruim a sensação de me sentir como um preso. Ter que ir escoltado, esperar uma hora para sair. Tudo isso é muito ruim”, seguiu.

Clima de bar

A novidade de torcida mista no Gre-Nal gera dúvidas em relação ao comportamento dentro do estádio. Embora acreditem que dentro não haverá problemas com a segurança, colorados e gremista admitem que pode haver um certo constrangimento na hora de comemorar ou vaiar o adversário.

“Acredito que ninguém vai para xingar o torcedor adversário. Porque vai estar ao lado. É uma questão de se adaptar. Quem for, vai para ver o jogo, confraternizar. Se der uma goleada para um dos lados, talvez algum ânimo possa se exaltar. Mas não creio nisso. Não é uma final. Não é um jogo decisivo”, declarou Rafael Moraes.

“Quem vai nesse setor misto é um torcedor mais seleto, que não é fanático. Um amigo meu que vem de Florianópolis comentou comigo que não tem calma para ir com gremista. O torcedor que se prontificou a ir tem pensamentos diferentes”, afirmou Jossiano Leal que acredita que muitos se sentirão à vontade para torcer normalmente no setor.

“A vaia vai ser algo normal ao adversário. A torcida vai ter, acho que vai ser mais respeitoso, principalmente em questões de xingamento. Coisas mais tradicionais vão ocorrer. O Alisson vai pegar a bola e vai ter vaia dos gremistas, mais isso é do jogo. No exterior isso acontece de forma mais normal. Tem que entender que rival não é inimigo”, seguiu.

O gremista Gabriel Teitelbaum admitiu que sentiu um certo receio em relação a ir ao clássico ao lado de colorados no começo, mas depois e se convenceu de que poderá torcer normalmente. Ele destacou que pretende apoiar o time da mesma forma que faz quando está na torcida do Grêmio apenas sem repetir os cantos de xingamento ao rival.

“No início fiquei receoso, achando que não ia poder torcer. Depois achei interessante. É um amigo desde criança. Ele me chamou e aceitei o convite. Espero me sentir a vontade para fazer o que quiser. Não mudar meu jeito de torcer. Vou tentar ver o jogo como se estivesse vendo um apenas com gremistas. Vou tentar acompanhar os cantos da torcida do Grêmio, menos aqueles xingando os colorados, claro. Se o Grêmio estiver ganhando no Beira-Rio, vou extravasar”, projetou.