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Com apoio maciço de federações e clubes, Caboclo é eleito presidente da CBF

Apenas três clubes da Série A não votaram em candidato apoiado por Del Nero

Rogério Caboclo assumirá a CBF em abril de 2019
Rogério Caboclo assumirá a CBF em abril de 2019 Foto : Leandro Lopes / CBF / CP
Marco Polo del Nero está afastado da presidência da CBF. Suspenso pela Fifa e investigado por suspeita de corrupção, não pode nem pôr os pés na sede da CBF, na Barra da Tijuca, na zona Oeste do Rio de Janeiro. Mas continua forte como antes. Graças a isso, elegeu o presidente da entidade para o período entre abril de 2019 e abril de 2023 com tranquilidade que talvez nem ele imaginasse. Rogério Caboclo foi eleito nesta terça-feira quase por unanimidade.

A eleição de Rogério Caboclo era favas contadas. Candidato único, fez do pleito mera formalidade. Mas talvez não esperasse que até os oposicionistas Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), e Rubens Lopes, que comanda o futebol no Rio de Janeiro, votassem nele. Pois votaram, o que lhe valeu 81 pontos, já que os outros presidentes de federações fizeram o mesmo.

Rogério Caboclo também teve o voto de 17 dos 20 clubes da Série A e dos 20 da Série B. Assim, somou um total de 135 pontos. Até os contrários a ele usaram artifícios diferentes do "não". Andrés Sanchez votou em branco pelo Corinthians. O Flamengo se absteve e o Atlético-PR não compareceu. Agradecido, Rogério Cabloco prometeu governar com e para os clubes. "Estou comprometido com quem nos apoiou. Estaremos sempre juntos. Sou leal a todos os que me acompanham", comentou, prometendo gestão "marcada pela eficiência da CBF e pela integridade".

Única voz a bater em Rogério Caboclo entre todos os cartolas – não pelo nome em si, mas pelos métodos administrativos da CBF, que excluem os clubes das tomadas de decisão –, Andrés Sanchez ficou preocupado com o discurso do presidente eleito. "Como ele falou no discurso, quem o apoiou vai ter todo o apoio. Quem não apoiou... Então acho que Corinthians, Flamengo e Atlético-PR vão ter problemas. Espero que o discurso dele não se cumpra".

No discurso, Rogério Caboclo procurou abordar todos os temas que colocam em dúvida a sua capacidade administrativa. Disse ser homem do futebol, pois com 28 anos entrou no São Paulo para exercer o cargo de diretor executivo e lembrou que seu pai, Carlos, ainda hoje é dirigente da FPF. "Esses anos todos no futebol me deixaram preparados para o desafio", garantiu, citando que foi integrante do Comitê Organizador Local da Copa de 2014, faz parte do Comitê Organizador da Copa América e que será chefe da delegação brasileira na próxima Copa América.

O novo presidente da CBF também se preocupou em listar feitos da CBF nos últimos anos e disse que vai trabalhar para que os clubes se fortaleçam financeiramente. Na prática, não apresentou nada ainda. Seu discurso durou menos de 10 minutos. Foi aplaudido algumas vezes, principalmente quando acenou em direção aos presidentes de federação e aos clubes.

Mas as palmas mais fortes e longas foram batidas no único momento em que citou Marco Polo Del Nero. "Ao presidente Marco Polo, ausente do processo eleitoral, desejo todo sucesso nos desafios que enfrenta", disse, em alusão aos problemas que o cartola tem na Justiça dos Estados Unidos e Fifa. As palmas que se seguiram foram uma mostra de quem ainda manda na casa.