Com apoio do investimento da Parmalat, o Juventude viveu seu melhor período na segunda metade da década de 90. Em suas principais conquistas, o Gauchão de 1998 e a Copa do Brasil de 1999, vitórias sobre o Inter marcaram tanto o torcedor da papada quanto o colorado. Esses resultados aliados a outras vitórias em fases menos decisivas do estadual e do Brasileirão criaram o folclore de que o Juventude era touca do Inter.
O título gaúcho de 1998, conquistado de forma invicta, teve uma até então inédita final entre Inter e Juventude. No jogo de ida, no Alfredo Jaconi, Christian abriu o placar para o Colorado, mas o capitão Flávio, duas vezes, e Lauro viraram para o Ju. No Beira-Rio, um placar de 0 a 0 garantiu a taça para o time da Serra.
Autor do terceiro gol na vitória no Jaconi, o meio-campista Lauro lembra que, apesar do placar na ida, o clima ainda era de desconfiança com a possibilidade do Juventude levantar a taça no Beira-Rio. “Para uma equipe do interior conseguir o que conseguimos naquela época era muito difícil. Quase ninguém acreditava nisso. Todo mundo esperava que o Inter revertesse no Beira-Rio”, recordou.
A desconfiança chegou a ajudar o elenco alviverde. O último campeão gaúcho fora Inter ou Grêmio até então era o Renner, em 1954. Em razão disso, o feito de chegar à decisão já era considerado importante para o Juventude. Por isso, o grupo, ressalta Lauro, estava tranquilo para a decisão. “A gente sabia que mesmo que perdesse já teria feito o nosso papel. Em geral, é assim: o time do interior chega e perde. Então ter chegado nos deixava em uma situação boa”, afirmou Lauro.
“Foi um momento especial, que ainda está muito vivo na minha memória. Faz quase 20 anos, mas para mim é muito especial pelo fato de ter conseguido o improvável”, completa Lauro
Goleada em “jogo perfeito”
Um ano após o título do Gauchão, o Juventude conseguiu uma façanha ainda maior, conquistar a Copa do Brasil. Antes de enfrentar o Botafogo na final, o clube da Serra passou pelo Inter na semifinal. E foi com uma goleada de 4 a 0 dentro do Beira-Rio. Aquele, que pode ser considerado como o maior jogo daquela geração do Ju, é considerado pelo Lauro como uma atuação perfeita. Um dia que tudo deu certo para o time.
“Foi um jogo que deu tudo certo para a gente. A gente tomou pressão durante todo o primeiro tempo. Nós praticamente não conseguimos passar do meio de campo. A única vez que passamos fizemos o gol. Depois, no segundo tempo, o Inter se abriu e aconteceu a goleada. Placares elásticos assim não mostram a realidade. Antes da goleada o nosso time teve que batalhar muito”, recorda.
Lauro, que acredita que o goleada no Beira-Rio deu a confiança que faltava para o time na final. “Pegamos vários times grandes na Copa do Brasil, isso foi nos fortalecendo. Quando a gente passou do Inter, da forma que foi, a equipe ganhou moral para os jogos contra o Botafogo. Dali veio a confiança que nos faltava para a final”, declarou.
Apesar dos triunfos sobre o Inter, o folclore da touca, tão falada por torcida e imprensa, garante Lauro, não chegava ao vestiário. O jogador ressaltou que dentro do grupo o clima sempre foi de respeito com o Inter. “Não dá para dizer que a gente não sabia da história, se ouvia falar. A touca era algo que a torcida e imprensa usavam. Nunca entrou para nós jogadores. Nós sabíamos que para ganhar o jogo tinha que estar muito concentrado, aproveitar as poucas oportunidades de matar o jogo e não deixar o time da Capital marcar. Conseguíamos as vitórias porque entrávamos muito concentrados”, afirmou.