O árbitro Héber Roberto Lopes relatou incidentes ocorridos no fim do jogo, por problemas vindos das torcidas. Ele fez o seguinte relato: “Informo que aos 45 min foi arremessado no 2º tempo, na área técnica do SC Internacional, uma bomba que estourou próxima ao preparador físico sr. Flávio S. Soares. Informo que a bomba foi arremessada do setor social onde se encontrava a torcida do Grêmio FBPA. Informo que após o término do jogo foram arremessadas na pista do estádio várias bombas oriundas da torcida do Grêmio FBPA”.
A Procuradoria enquadrou o clube no artigo 213-III do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), acusando o Grêmio de “deixar de tomar providências capazes de prevenir e reprimir: lançamento de objetos no campo ou local da disputa do evento desportivo”. O artigo prevê aplicação de multa entre R$ 100 e R$ 100 mil. O órgão responsável pela denúncia ainda cita o parágrafo primeiro do artigo citado acima, em que, diante da gravidade, pede aos auditores que analisem a possibilidade da aplicação de perda de mando de campo, de uma a dez partidas. Já na segunda-feira após o jogo, o Grêmio disse ter identificado o torcedor que arremessou um rojão no banco de reservas do rival.
Já o técnico Vanderlei Luxemburgo foi excluído da partida em função após a expulsão do goleiro Muriel. O treinador entrou em campo para tirar seus jogadores da confusão. Assim, ele responde ao artigo 258-B (invadir local destinado à equipe de arbitragem, ou o local da partida, prova ou equivalente, durante sua realização, inclusive no intervalo) do CBJD e pode ser suspenso por até três partidas. E ainda no artigo 258, inciso II, do CBJD. Somadas as penas previstas, a suspensão do técnico pode chegar nove jogos, a serem cumpridos em competições nacionais.
Muriel levou o cartão vermelho no segundo tempo, quando estava fora da área e colocou as mãos na bola para evitar o gol gremista. O jogador foi denunciado no artigo 250 do CBJD, ou seja, por “praticar ato desleal ou hostil durante a partida”. Dessa forma, Muriel pode ser suspenso de uma a três partidas.
Aos 13 minutos do segundo tempo, em jogada na lateral, o centroavante Leandro Damião deu uma cotovelada no gremista Saimon, na cabeça, que saiu rolando para fora do campo. O árbitro Heber Roberto Lopes aplicou o cartão vermelho de forma direta, enquanto Saimon foi atendido pelos médicos. Ainda foi relatado na súmula que Damião, ao deixar o gramado em direção ao vestiário, fez acenos ofensivos para a torcida adversária. Ele responderá a dois artigos do CBJD: por “praticar jogada violenta” e “provocar o público durante partida”. Assim, o atacante do Inter corre o risco de pegar até 12 jogos de suspensão.
Já aos 46 minutos do segundo tempo, quando o Grêmio tentava desesperadamente um gol, uma confusão aconteceu à beira do gramado. Segundo a súmula, o técnico Osmar Loss, do Inter, foi expulso diretamente por “inicialmente chutar bola de jogo que veio em sua direção”. Daí em diante, Saimon, inconformado com a atitude, foi tomar satisfação. Ainda conforme o árbitro, Osmar “agarrou o jogador pelo pescoço, fortemente”. Saimon teria dito a Osmar: “Deixe a bola, filho da...”. Apesar de não constar da súmula, imagens da partida mostram que o zagueiro desfere uma “peitada” no técnico colorado, e ainda o empurra.
Loss está enquadrado no artigo 250 (praticar ato desleal ou hostil) do CBJD, em que a pena varia de uma a três partidas de suspensão. E acusado de “agressão física”, responde ainda ao artigo 254-A do CBJD, e assim ainda pode ser suspenso de quatro a 12 jogos. As penas do técnico podem ser somadas e chegar a 15 partidas de suspensão.
O zagueiro também responde por agressão. E foi denunciado pelo artigo 258 do CBJD, por “assumir qualquer conduta contrária à disciplina ou à ética desportiva não tipificada pelas demais regras deste Código”, em que pode pegar até seis jogos de gancho. Somadas as duas penas previstas nos artigos, o jogador do Grêmio pode chegar a ser punido por 18 partidas.