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Copa América de 2016 motivou subornos de US$ 110 milhões, diz Justiça dos EUA

Escândalo da Fifa chegou a ser chamado de "Copa do Mundo da fraude"

Afirmação foi feita pela secretária americana de Justiça, Loretta Lynch
Afirmação foi feita pela secretária americana de Justiça, Loretta Lynch Foto : Spencer Platt / Getty Images North America / AFP / CP
A secretária de justiça dos Estados Unidos, Loretta Lynch, denunciou nesta quarta-feira casos de corrupção na atribuição da Copa do Mundo de 2010 à África do Sul, além de "subornos de 110 milhões de dólares" no organização da Copa América do Centenário, que acontecerá em 2016 em solo americano.

"A Copa do Mundo de 2010 foi a primeira realizada no continente africano, mas, mesmo para este evento histórico, dirigentes da Fifa e outros corromperam o processo por meio de propinas para influenciar a decisão da atribuição da sede da competição", lamentou Lynch numa entrevista coletiva.

"São apenas acusações", rebateu Dominic Chimhavi, porta-voz da federação sul-africana de futebol, procurado pela AFP. "Ninguém está sendo investigado aqui", assegurou, recusando-se a fazer mais comentários sobre o assunto.

A respeito da Copa América do Centenário, a secretária de justiça americana também fez acusações pesadas.
"As investigações revelaram que aquilo que deveria ser uma manifestação esportiva foi usado como um veículo para uma rede maior para encher os bolsos de executivos, com subornos que somam 110 milhões de dólares", explicou.

A entrevista coletiva foi realizada em Nova Iorque, poucas horas depois do terremoto que sacudiu o mundo da Fifa: sete altos dirigentes da organização foram detidos por suspeita de corrupção a pedido das autoridades americanas.

Entre os detidos está José Maria Marín, ex-presidente da Confederação Brasileira de futebol, que deixou o cargo em abril.

Ao mesmo tempo, num caso distinto, a Promotoria da Suíça apreendeu documentos eletrônicos na sede da Fifa, em uma investigação penal por suspeitas de "lavagem de dinheiro e gestão desleal" relacionadas à escolha das sedes das Copas do Mundo de 2018 e 2022.

Apesar das detenções, a eleição presidencial está mantida, e Blatter tem tudo para conseguir um quinto mandato.
Na mesma coletiva, Richard Weber, responsável da seção de investigações criminais da Direção do Imposto de Renda (IRS) americano, chamou o escândalo de "Copa do Mundo da fraude".

A promotora federal do distrito de Brooklyn, Kelly Currie, avisou, por sua vez, que a detenção de altos dirigentes "é apenas o início do nosso esforço" para combater a corrupção no futebol, não o fim.

"Desde 1991, duas gerações de dirigentes de futebol usaram seus cargos de confiança em suas organizações respectivas para pedir propinas de empresas de marketing esportivo em troca dos direitos comerciais dos torneios", denunciou Lynch.

"Estes indivíduos e organizações participaram de subornos para decidir a quem seriam atribuídos os direitos de transmissão e quem dirigiria as organizações que regem o futebol a nível mundial", completou.

Detenções

A pedido das autoridades dos Estados Unidos, seis dirigentes suspeitos de corrupção foram presos em Zurique, na Suíça hoje. O jornal New York Times foi quem revelou o caso nesta quarta-feira. A publicação afirmou que policiais suíços compareceram a um hotel de luxo de Zurique durante a madrugada e que entre os suspeitos e possíveis detidos, está o ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) José Maria Marin.

Além dele, entre os dirigentes atuais ou passados da Fifa, estão envolvidos no caso Jeffrey Webb (Ilhas Cayman), membro do comitê executivo e o uruguaio Eugenio Figueredo e Jack Warner (Trinidad e Tobago)  ex-membro do comitê executivo, já envolvido em outros casos de corrupção.  O jornal americano também cita o costarriquenho Eduardo Li, o nicaraguense Julio Rocha, presidente da Federação Venezuelana de Futebol, Rafael Esquivel, e o paraguaio Nicolás Leoz.

Segundo as autoridades suíças, eles são suspeitos de aceitarem suborno de milhões de dólares desde os anos 90. O escândalo acontece dois dias antes da eleição para a presidência, na qual Joseph Blatter buscará o quinto mandato à frente da entidade.

CBF declada apoio à investigação

A CBF publicou na manhã desta quarta-feira uma nota sobre a operação que investiga irregularidades na Fifa e que prendeu o ex-presidente da entidade brasileira José Maria Marín e mais seis cartolas da federação internacional na Suíça.

"Diante dos graves acontecimentos ocorridos nesta manhã em Zurique, envolvendo dirigentes e empresários ligados ao futebol, a CBF vem a público declarar que apoia integralmente toda e qualquer investigação. A entidade aguardará , de forma responsável, sua conclusão, sem qualquer julgamento que previamente condene ou inocente. A nova gestão da CBF iniciada no dia 16 de abril de 2015 reafirma seu compromisso com a verdade e a transparência."


Del Nero sai em defesa de Marín

O atual presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, se pronunciou em defesa de seu antecessor e disse que contratos suspeitos são obra de Ricardo Teixeira. "São contratos firmados antes da administração de Marín. Eu conheço esses contratos", resumiu Del Nero em entrevista à ESPN.

Del Nero faz referência a contratos firmados antes da Copa do Mundo de 2014, realizada no Brasil. Os documentos estão sendo investigados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos. O atual presidente da CBF admitiu, porém, que a prisão de Marín "não é boa" para a CBF. Ele considerou que a investigação é necessária. Conforme a ESPN, Del Nero descobriu a prisão de Marín pela mulher do ex-dirigente da CBF, que estava no mesmo hotel em Zurique onde os cartolas da Fifa estava reunidos.