Graham Potter assumiu a seleção da Suécia em um momento delicado. A equipe ocupava a última posição do Grupo B das Eliminatórias, vinda de três derrotas e um empate, com apenas dois gols marcados. Para reverter o mau momento e a perda de confiança do elenco, o treinador inglês focou em reorganizar o grupo coletivamente, buscando o equilíbrio entre defesa e ataque para dar estabilidade tática e aproveitar a qualidade individual dos atletas.
Embora restassem apenas duas partidas nas eliminatórias e a vaga direta não tenha vindo, o desempenho anterior na Liga das Nações da UEFA garantiu à Suécia uma segunda chance nos play-offs europeus. Na semifinal da repescagem, os suecos venceram a Ucrânia por 3 a 1. Na sequência, garantiram a classificação para a Copa do Mundo em um confronto decisivo contra a Polônia, em Solna, vencido por 1 a 0 com um gol dramático aos 88 minutos.
"É muito difícil descrever ou explicar (as minhas emoções)", disse Potter em entrevista para a Fifa sobre aquele confronto. "Foi quase como uma experiência fora do corpo. Você vê o gol acontecer já perto do fim e, de repente, vê todo o banco de reservas correndo para o campo. É como pensar: "Isso está mesmo acontecendo?"", lembrou.
Quando Potter assumiu o comando da Suécia, a equipe havia perdido três partidas e empatado uma nas eliminatórias, marcando apenas dois gols. O resultado era a última posição do Grupo B e a necessidade urgente de uma mudança profunda.
"A equipe estava num momento muito ruim por causa dos resultados, e isso pode acontecer", continuou. "Havia muita negatividade em torno do grupo e, provavelmente, os jogadores tinham perdido um pouco da confiança, tanto em si mesmos como equipe quanto, até certo ponto, uns nos outros dentro do contexto da seleção", revelou.
"A qualidade individual dos jogadores nunca esteve em dúvida. A questão era como reunir tudo isso como grupo e como lidar com a responsabilidade. Esse foi o ponto de partida. Começámos por analisar como poderíamos ser mais equilibrados entre defesa e ataque, garantindo estabilidade e procurando aproveitar ao máximo as características dos jogadores", explicou Potter.
Os dados estatísticos mostram que o principal trunfo da campanha de recuperação esteve no setor ofensivo, liderado por Viktor Gyökeres. O atacante do Arsenal, que soma 20 gols em 33 partidas pela seleção, supriu a ausência do lesionado Alexander Isak ao marcar um hat-trick contra a Ucrânia e o gol da classificação contra a Polônia.
Com a vaga assegurada sob o comando de Potter, a Suécia integrará o Grupo F do Mundial ao lado de Tunísia, Holanda e Japão.