Carlo Ancelotti apareceu bastante abatido na entrevista coletiva em Nova Jersey (EUA). O treinador italiano lamentou e viu como injusta a eliminação do Brasil para a Noruega pelas oitavas de final da Copa do Mundo, neste domingo. Segundo ele, a equipe produziu o suficiente para deixar o MetLife Stadium com a vitória e a vaga para as quartas de final.
“Estamos profundamente tristes. Porque a equipe não fez um Mundial espetacular, mas um bom Mundial. Acho que hoje merecíamos ganhar o jogo. Quando passa um momento assim, tu tem que pensar. Temos que seguir trabalhando e melhorando. Encontrar novas ideias. É um princípio de um novo ciclo”, afirmou.
Em relação ao pênalti desperdiçado no primeiro tempo, Ancelotti explicou que a escolha por Bruno Guimarães estava pré-determinada. O italiano destacou que o camisa 8 era o melhor em estatística dentre os jogadores que estavam em campo naquele momento.
"Fizemos umas estatísticas de um ano dos jogadores rivais e também dos nossos. O melhor na Seleção era o Raphinha. Dos disponíveis, o melhor era o Neymar, depois Igor Thiago, depois Bruno Guimarães e depois o Martinelli. Escolhemos o Bruno Guimarães porque achamos que ele era o melhor no campo (para bater).”, disse.
Quando o árbitro Ismail Elfath assinalou o pênalti cometido sobre Matheus Cunha, ainda no início da partida, após revisão no vídeo, surgiu a dúvida entre os jornalistas presentes na sala de imprensa do MetLife Stadium sobre quem faria a cobrança. Até então, a seleção não havia confirmado oficialmente quem era o primeiro cobrador de pênaltis na Copa do Mundo.
A confusão surgiu porque Vinícius Júnior pegou a bola. O atacante, porém, apenas cumpriu uma estratégia cada vez mais comum no futebol: proteger o verdadeiro cobrador da pressão dos adversários antes da batida. A definição havia sido feita ainda na preleção, antes da partida. Bruno Guimarães seria o responsável pela cobrança caso Raphinha, Igor Thiago e Neymar não estivessem em campo.
“Jogo controlado”
Sobre a atuação da equipe, Ancelotti afirmou que o Brasil controlou boa parte do jogo, criou oportunidades e enfrentou dificuldades para pressionar a saída de bola da Noruega por causa da movimentação de Martin Odegaard.
"Me pareceu um jogo controlado. Tivemos oportunidades. Foi muito complicado fazer uma pressão alta, porque eles tinham muitos jogadores atrás e o Odegaard baixava muito para participar da construção. Era difícil fazer uma marcação individual, um contra um, em todo o campo", afirmou o treinador.
"Tivemos muitas oportunidades na primeira parte e também na segunda, quando o placar ainda estava 0 a 0. Nas mudanças, colocamos jogadores mais descansados para tentar dar mais profundidade e ganhar o jogo", completou.
Um novo ciclo
Com contrato renovado até 2030, Carlo Ancelotti começou a projetar o próximo ciclo da Copa: “Vamos seguir trabalhando para esta Seleção, tentando melhorar e buscar novas ideias. Eu acho que o trabalho foi bom. O futebol é assim. Temos que manejar a tristeza de uma derrota. É manejar essa derrota como um impulso para um novo trabalho”.