Nos bares da esquina da Coronel Fernando Machado com a Coronel Genuíno, no Centro Histórico, só dava para ouvir o ecoar dos inúmeros bares que transmitiam o jogo, simultaneamente. Silêncio, porque o clima era de tensão.
O público então naturalmente se dividiu. Do lado direito estavam os que vestiam vermelho e branco, muitos com a camisa do Inter para representar a Inglaterra. Do lado esquerdo, nos bares mais da baixada, estava a torcida que quase viu o ídolo Messi jogar pela última vez. Clélia Raquel Moraes, 54, nascida na província das Misiones, em solo argentino, viveu todas as angústias e todas as surpresas que a partida proporcionou.
Com o jogo novamente quase indo para a prorrogação e com a busca pelo tetra da Albiceleste quase escapando das mãos, a torcedora, que estava acompanhada de suas duas filhas, Cecília Moraes, 18, e Bruna Moraes, 31, segurava sua manta com toda a força que podia. Depois, quando veio o desempate, Clélia mostrou confiança e deixou a emoção sair pela boca. “3 a 2 contra a Espanha hein, escreve aí, toma secador”, gritou.
Mesmo com pai e marido brasileiros, a torcedora, que foi alfabetizada no país de Maradona, foi a responsável por passar a paixão pela nação azul e branca para as filhas. Morando na capital gaúcha desde os 18 anos, a entusiasta dos hermanos não escondeu a euforia e representou a torcida quando correu por toda a calçada no gol da vitória, marcado pelo atacante Lautaro Martínez.
Nos acréscimos, sobrou até para os copos: se antes serviam para guardar a cerveja agora tinham a função de ficar entre os dentes dos torcedores. Clélia, estava em frente à TV, grudada para não perder nada. Quando deu o apito final, não houve gritaria, toda energia já tinha sido gasta no último gol.
Até domingo, a família Moraes vai estar ocupada organizando a festa da final, que vai acontecer no salão de festas da casa da filha mais velha, na capital.
*Com supervisão de Carlos Corrêa