Apesar da distância que os separam, Brasil e Japão têm relações de proximidade muito fortes. A partir da chegada do navio Kasato Maru em 18 de junho de 1908 ao porto de Santos, milhares de imigrantes japoneses — os chamados nikkei — escolheram o Brasil como terra da esperança. Esse processo durou até 1973, quando a vinda de nipônicos foi oficialmente encerrada. Nos 65 anos em que durou a imigração oficial, calcula-se que quase 200 mil japoneses transferiram-se para o Brasil. A partir do fim dos anos 1980, o fluxo se inverteu, porém em menor medida, originando o fenômeno dos dekasegi, descendentes de japoneses nascidos na América do Sul (sobretudo brasileiros e peruanos) que migravam para o Japão.
Os laços sociais e culturais entre os dois países são relativamente antigos, mas seus encontros nos caminhos do futebol são bastante recentes. O adversário do Brasil na busca pelo hexa desenvolveu o esporte apenas nos últimos 40 anos — e a influência brasileira se mostrou decisiva. Arthur Antunes Coimbra, o Zico, craque do Flamengo e da Udinese nos anos 1980, tornou-se o patrono do futebol japonês. jogou e treinou o Kashima Antlers nos anos 1990 e comandou a seleção japonesa entre 2002 e 2006. O único jogo de Copa entre Brasil e Japão teve Zico na área técnica adversária.
A história do confronto começa oficialmente antes mesmo da chegada do Galinho de Quintino ao oriente. A primeira partida disputada entre Brasil e Japão ocorreu em julho de 1989. O inexperiente time japonês fazia uma excursão pelo país e chegava ao jogo tendo sofrido duas derrotas para clubes brasileiros: 1 x 0 para o Coritiba e 2 x 1 para o Joinville.
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O técnico Kenzo Yoloyama, no entanto, profetizou: “Estamos aqui para aprender e ganhar experiência. Estou certo de que um dia o Japão terá uma grande seleção de futebol”. O resultado de São Januário foi bastante satisfatório para os orientais: derrota de apenas um gol, marcado pelo atacante Bismarck.
Seis anos depois, em dois meses Brasil e Japão se enfrentaram duas vezes. No dia 6 de junho de 1995, em partida válida por competição não oficial, a Seleção fez 3 x 0 e ampliou o saldo em 9 de agosto, goleando por 5 x 1. Essa foi a vitória mais larga do Brasil até hoje. Outros dois amistosos, em 1997 e 1999, terminaram com o triunfo brasileiro. Até esse ponto, nenhuma dessas partidas, porém, tinha caráter oficial.
A década de 1990 se encerraria, no entanto, com um fato marcante, caso se considerasse o status particular do futebol no programa das Olimpíadas. Desde 1960, a Fifa não contabiliza jogos do torneio olímpico do futebol masculino como partidas de categoria A, ou seja, partidas oficiais.
E esse detalhe é fundamental, porque Brasil e Japão se enfrentaram nas olimpíadas de Atlanta, em 21 de julho de 1996, pela fase de grupos. Esse jogo, disputado no Orange Bowl de Miami, representou a primeira derrota da Seleção para o Japão. Pode não ter tido o caráter oficial exigido pela Fifa, mas o Brasil de Zagallo era a equipe de ponta da época, com remanescentes do tetra de 1994 (como Aldair, Bebeto e Ronaldo), além de promessas que voariam alto no futuro imediato (casos de Juninho Paulista, Roberto Carlos, Dida e Rivaldo). Teruyoshi Ito marcou na metade do segundo tempo e decretou a vitória do time do Sol Nascente.
Com a virada de século, Brasil e Japão iriam disputar suas primeiras partidas oficiais em partidas pela Copa das Confederações de 2001 e 2005. No primeiros desses jogos, empate sem gols. No segundo, novo empate, desta vez em 2 a 2. Os japoneses trilhavam a profecia de Yoloyama.
Único encontro em Copas
Em 2006, o grande momento — e até esta segunda-feira, o único — de encontro por uma Copa do Mundo. O Brasil de Carlos Alberto Parreira defendia seu título (o penta de 2002) e no dia 21 de junho encerrava a fase de grupos goleando o Japão no Signal Iduna Park, em Dortmund, por 4 a 1 (gols de Ronaldo, duas vezes, Juninho Pernambucano e Gilberto). Os nipônicos terminaram a primeira fase na lanterna do grupo F da Copa da Alemanha sem nenhuma vitória.
Seguiram-se alguns amistosos, todos com largas vitórias brasileiras (dois 4 a 0, em 2012 e 2014, 3 a 1 em 2017) e um magro 1 a 0 para o Brasil na preparação para a Copa do Catar, em 2022. Em 2013, novamente por uma Copa das Confederações — a que antevia a Copa disputada no Brasil —, a Seleção fez 3 a 0 jogando no estádio Mané Garrincha, em Brasília, nos dias que ficaram marcados pelos protestos pelas ruas de diversas cidades do país.
Em outubro de 2025, o Japão conseguiu enfim sua primeira vitória. Uma virada em Tóquio sobre uma Seleção descaracterizada — parte da fase de estudos iniciais do recém chegado técnico Carlo Ancelotti — deu à equipe do Sol Nascente o único triunfo com equipes profissionais contra o Brasil.
Confira os confrontos entre Brasil e Japão
- 23/07/1989 – Amistoso – Brasil 1 x 0 Japão
- 06/06/1995 – Copa Umbro – Brasil 3 x 0 Japão
- 09/08/1995 – Amistoso – Brasil 5 x 1 Japão
- 21/07/1996 – Olimpíadas – Brasil 0 x 1 Japão
- 13/08/1997 – Amistoso – Brasil 3 x 0 Japão
- 31/03/1999 – Amistoso – Brasil 2 x 0 Japão
- 04/06/2001 – Copa das Confederações – Japão 0 x 0 Brasil
- 22/06/2005 – Copa das Confederações – Japão 2 x 2 Brasil
- 22/06/2006 – Copa do Mundo – Japão 1 x 4 Brasil
- 16/10/2012 – Amistoso – Brasil 4 x 0 Japão
- 15/06/2013 – Copa das Confederações – Brasil 3 x 0 Japão
- 14/10/2014 – Amistoso – Brasil 4 x 0 Japão
- 10/11/2017 – Amistoso – Brasil 3 x 1 Japão
- 06/06/2022 – Amistoso – Brasil 1 x 0 Japão
- 14/10/2025 Amistoso Japão 3 x 2 Brasil