Uma das maiores figuras da primeira rodada da Copa do Mundo foi Vozinha. Desconhecido até então, o goleiro de Cabo Verde fez de tudo um pouco na estreia e surpreendeu o mundo ao parar a poderosa Espanha. Passaram-se uns dias, e Mpasi, da República Democrática do Congo, fechou o gol, frustrando o início de caminhada de outra favorita, a seleção de Portugal. Eram os primeiros indicativos de que a Copa de 2026 está sendo marcada não apenas por resultados inesperados, mas também pelas ótimas atuações dos goleiros.
Na madrugada de sábado para domingo, a Tunísia levou um sacode do Japão. Ainda assim, o goleiro Aymen Dahmen fez a defesa que para mim era séria candidata à melhor da competição. Não foi um lance tão plástico, mas o tempo de reação dele foi algo absurdo. Para completar, o VAR mostrou que a distância que impediu o gol de ser validado deveria ser o equivalente a três ou quatro fios de cabelo. Se muito. Qualquer microssegundo a mais que Dahmen demorasse e seria gol.
Só que aí veio ontem o jogo entre Bélgica e Irã e o goleiro Alireza Beiranvand fez ainda mais. Não fez a defesa da Copa. Fez a defesa do ano. Deitado, esticou o braço e, contra todas as probabilidades, impediu o gol da Bélgica em um chute à queima-roupa. Uma defesaça. De quebra, dedicou o troféu de melhor em campo aos seus compatriotas que ficaram no país. “Queremos que eles fiquem felizes, porque vivem em condições muito difíceis”.