Por muito tempo, quando adolescente, eu ouvia pouco Nirvana, mesmo a banda fazendo sucesso. Como eu era fã de Pearl Jam e existia uma certa “rivalidade”, era um som que para mim ficava em segundo plano. Quando finalmente fui ouvir, vi quanto tempo havia perdido. Anos depois, a mesma coisa aconteceu com Blur, já que eu era fã de Oasis. O errado era eu.
No futebol, por muitos anos, existiram duas correntes: ou você era um adorador de Lionel Messi ou era de Cristiano Ronaldo. Ou um, ou outro. Em boa parte do tempo, eu fui time Messi. De alguns anos para cá, no entanto, fui percebendo como eu era bobo. São dois gênios. Nunca fui torcedor de nenhum clube dos quais eles vestiram a camisa. Nada, portanto, me impedia de simplesmente desfrutar do talento que a dupla desfilava pelos gramados. Agora, testemunhando na Copa do Mundo o anoitecer de duas carreiras incomparáveis, a vontade é de voltar no tempo. Aproveitar mais cada escapada a dribles do argentino e cada uma das bicicletas mágicas do português. Fomos muito sortudos, mas podíamos ter curtido mais.
Que fique a lição. Quando, daqui para a frente, lhe perguntarem “Quem é o melhor para você: Mbappé ou Yamal?”, apenas sorria e pense na resposta que você daria no futuro.