Copa do Mundo

Com estreia do Brasil, Copa do Mundo invade Nova York enlouquecida pelos Knicks

Entre a Copa e a NBA, cidade vive noite dupla histórica com estreia brasileira e título no basquete

Brasil empatou com o Marrocos em 1 a 1 neste sábado, 13
Brasil empatou com o Marrocos em 1 a 1 neste sábado, 13 Foto : Leonardo Munoz / AFP / CP

A Copa do Mundo contra a febre pelos Knicks. Nova York vive um dia agitado neste sábado (13), sediando seu primeiro jogo da Copa do Mundo de 2026, o empate entre Brasil e Marrocos em 1 a 1, enquanto a cidade aguardava em êxtase a conquista do New York Knicks nas Finais da NBA.

A franquia nova-iorquina jogava a quase 3.000 quilômetros de distância, na casa do San Antonio Spurs, e a vitória por 94 a 90 no Jogo 5 encerrou uma espera de 53 anos. Os Knicks são campeões da NBA pela primeira vez desde 1973.

Os apaixonados torcedores do Knicks, que lideravam as Finais por 3 a 1 contra os Spurs de Victor Wembanyama antes do jogo decisivo, viveram uma noite inesquecível na Big Apple.

"A Copa do Mundo vai ser divertida... mas agora eu sou nova-iorquino, então estou torcendo pelos Knicks. Basquete!", disse à AFP Robert Chen, um ator de 32 anos, perto da fan zone da Fifa na ponte do Brooklyn.

"Vamos conquistar essa vitória e depois podemos pensar na Copa do Mundo", afirmou.

Os milhares de torcedores brasileiros, no entanto, tinham outros planos e invadiram pontos icônicos da cidade, como a Times Square, antes da estreia da Seleção contra o Marrocos.

O jogo, um dos mais interessantes da fase de grupos do Mundial, terminou empatado em 1 a 1 no MetLife Stadium, localizado do outro lado do rio Hudson, no estado de Nova Jersey.

Seleção Brasileira apenas empata com o Marrocos na estreia da Copa do Mundo | Foto: Leonardo Munoz / AFP / CP

Para as autoridades de Nova York, foi um primeiro teste para o transporte público da região no deslocamento dos torcedores até o estádio, que será palco da final da Copa no dia 19 de julho.

"Para quem for se deslocar por Manhattan, prepare-se para um caos total no trânsito", alertou o prefeito Zohran Mamdani no sábado, aconselhando os passageiros a se prepararem para um trajeto de quatro a cinco horas.

Morten Vold, de 37 anos, vestia uma camisa da Seleção enquanto se dirigia ao estádio e elogiou a organização na movimentada Penn Station, onde torcedores do Marrocos, do Brasil e dos Knicks se misturavam com dezenas de membros da Guarda Nacional e reforços policiais.

"Eu já tinha pesquisado como chegar lá e visto um vídeo sobre isso no aplicativo de transporte", explicou Vold, torcedor da seleção norueguesa, que considera "um absurdo" ter que pagar US$ 98 (cerca de R$ 500) pela viagem entre Manhattan e o MetLife Stadium.

"O basquete manda aqui"

Do lado de fora da estação, os nova-iorquinos formavam um mar laranja em apoio aos Knicks.

"Todos estão ansiosos por essa vitória, dá para sentir a empolgação no ar... é contagiante", disse Angel Diaz, de 42 anos, torcedor dos Knicks e vendedor ambulante do Queens.

"É claro que os Knicks ofuscam a Copa do Mundo, e isso é normal", conclui Lucas Matuszewski, gerente de um campo de futebol indoor localizado em um bairro industrial do Brooklyn.

"É difícil competir com uma instituição tão consolidada", reconhece Matuszewski, enquanto atrás dele algumas crianças da vizinhança batem bola em um campo de grama sintética.

Graeme Buckingham, que veio da Escócia para apoiar sua seleção, descreve o nível de "febre do futebol" em Nova York como "baixo".

"Eu provavelmente esperava um pouco mais, mais torcedores. Mas, como vocês podem ver, o basquete manda aqui", comentou este torcedor de 53 anos em uma conversa no bairro de Wall Street.

Em alerta

As autoridades mobilizaram recursos significativos para organizar o transporte de dezenas de milhares de torcedores para o jogo da Copa do Mundo, além de garantir as três zonas oficiais para assistir à final da NBA em Manhattan (21h30 no horário de Brasília).

A tensão das finais, as primeiras deste século em Nova York, levou a tumultos com dezenas de prisões, cerca de 50 delas após o último jogo, na quarta-feira passada.

Em um vídeo divulgado na manhã deste sábado, o prefeito Mamdani pediu aos nova-iorquinos que "mostrem ao mundo como celebramos com alegria e responsabilidade".