Quarenta anos depois, o Iraque está de volta à uma Copa do Mundo. Na última vez, que também foi a primeira participação do País no evento, o ditador Saddam Hussein ainda era o presidente.
Passado mais de 20 anos do fim do regime (2003), o povo iraquiano poderá ter mais motivos para sorrir com a presença do Iraque em uma Copa do Mundo de futebol pela segunda vez.
A seleção iraquiana foi última a carimbar o seu passaporte para América do Norte, de forma dramática e histórica, ao vencer a Bolívia por 2 a 1 na final da repescagem intercontinental, entre asiáticos e sul-americanos, disputada em Monterrey, no México. O gol da classificação foi marcado por Aymen Hussein, aos sete minutos da segunda etapa.
O comando técnico está com o experiente australiano Graham Arnold, contratado no decorrer do ciclo, e que estabeleceu uma equipe mais sólida que joga entre os esquemas 4-2-3-1 e o 4-3-3, priorizando a compactação defensiva e as transições rápidas. Em 11 jogos sob o seu comando, a equipe obteve 6 vitórias, 2 empates e duas derrotas, aproveitamento de 60% e sofreu apenas 8 gols.
"Estar em campo com jogadores como (Kylian) Mbappé e (Erling) Haaland é uma grande honra para os nossos jogadores, e respeitaremos suas habilidades, mas entraremos em campo para tentar vencer e surpreender o mundo. Como seleção iraquiana, não temos nada a perder. Devemos ir para a Copa do Mundo com uma mentalidade vencedora; essa é a única maneira de alcançar grandes feitos", disse Arnold.
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A espinha dorsal do elenco iraquiano mistura veteranos com jovens talentos que atuam na Europa. Os principais destaques ofensivos são o centroavante e goleador Aymen Hussein e o atacante Ali Al-Hamadi (do Ipswich Town), dupla responsável pelos gols decisivos na classificação contra a Bolívia.
No meio-campo, a criatividade do ponta Ali Jasim e a liderança de Amir Al-Ammari ditam o ritmo de jogo, enquanto o experiente goleiro e capitão Jalal Hassan retorna de lesão para comandar a defesa. Antes da estreia no Mundial, o Iraque agendou jogos preparatórios na Europa contra Andorra e a poderosa Espanha.
Esses duelos fecham um ciclo recente de altos e baixos, vindo de uma eliminação nas quartas da Copa Árabe de 2025 para a Jordânia, e de uma eliminação nas oitavas da Copa Asiática.
Sorteado no Grupo I ao lado de potências como França, Senegal e Noruega, o Iraque sabe que enfrentará um imenso desafio técnico em solo norte-americano. O objetivo primordial de Graham Arnold e seus comandados é pontuar e tentar apagar a campanha de 1986, quando o País perdeu as três partidas na fase de grupos. Para uma nação que encontrou no futebol um refúgio e um símbolo de união, cada minuto jogado nos gramados da América do Norte já é tratado como uma vitória histórica.
Aymen Hussein: gols e experiência
O grande nome da seleção iraquiana é o atacante Aymen Hussein, centroavante de 1,89 m que virou símbolo da retomada do País no cenário internacional. Revelado no Al-Alam e com passagens por clubes do Iraque, Catar, Marrocos e Tunísia, Hussein ganhou notoriedade continental na Copa da Ásia de 2024, quando marcou seis gols e liderou a histórica vitória por 2 a 1 sobre o Japão.
Também foi decisivo nas Eliminatórias para a Copa de 2026: marcou o gol da classificação contra a Bolívia na repescagem e terminou a campanha asiática como um dos principais artilheiros.
Aos 30 anos, o atacante vive mais uma temporada artilheira atuando pelo Al-Karma, do Iraque. Em 2025/26 soma 18 gols em 27 partidas entre clube e seleção, incluindo nove gols nas Eliminatórias Asiáticas para a Copa do Mundo. Pela seleção principal do Iraque, já acumula 33 gols em 93 jogos, figurando entre os maiores goleadores da história do País.