Copa do Mundo

Copa do Mundo de futebol de botão: conheça o torneio que mobiliza praticantes a cada 4 anos em Porto Alegre

Tradicional associação de Porto Alegre promove torneio temático inspirado no mundial e mantém viva a paixão pelo futebol de mesa

Jogadores juntos antes do começo de mais uma rodada do campeonato
Jogadores juntos antes do começo de mais uma rodada do campeonato Foto : Filipe Capra

Enquanto os olhos do mundo estão voltados para a Copa do Mundo de 2026, em Porto Alegre um grupo de botonistas também disputa o principal torneio do futebol mundial. Na Associação Washington Luiz de Futebol de Mesa, 21 jogadores transformaram o Mundial em um campeonato temático que mobiliza seus participantes a cada quatro anos e mantém viva uma tradição de quase 30 décadas.

Conhecido popularmente como futebol de botão, o futebol de mesa representa muito mais do que uma modalidade esportiva para os integrantes da Associação Washington Luiz. Ao longo do ano, a entidade promove torneios inspirados em grandes competições, como Brasileirão, Libertadores e Champions League. A cada quatro anos, porém, chega o evento mais aguardado pelos botonistas: a Copa do Mundo.

Atual campeão do torneio, Lídio Curuja conta que a expectativa pela disputa começou logo após conquistar o título na última edição.

"Quando terminou a última Copa do Mundo, que eu fui campeão, já fiquei pensando nessa próxima para tentar o bi. Estamos aí para ver se conseguimos levantar o caneco, mas vai ser difícil, tem gente muito boa esse ano."

Nesta edição, a Copa reúne 21 participantes, divididos em três grupos com sete botonistas cada. Os cinco melhores colocados de cada chave avançam às oitavas de final, acompanhados pelo sexto colocado de melhor campanha entre os grupos.

As partidas são realizadas na sede da associação, localizada na Rua José do Patrocínio, 570, em Porto Alegre. Os encontros acontecem todas as segundas-feiras, sempre às 19h30min. Os confrontos da fase de grupos são definidos previamente e disputados de forma simultânea.

Jogador prestes a finalizar para o gol | Foto: Filipe Capra

Regras

O torneio segue a Regra Gaúcha, uma das principais modalidades do futebol de mesa no Estado. Cada competidor tem direito a um toque por vez, alternando as jogadas com o adversário.

O objetivo é manter a bola no campo rival, já que a finalização só pode ser realizada após ultrapassar a linha divisória. A dinâmica exige planejamento constante entre ataque e defesa.

"É um jogo de xadrez", resume Zilmar Ramos Pujol, um dos organizadores do torneio, ao explicar a estratégia exigida pela modalidade.

Além das disputas, o ambiente é marcado pela amizade construída ao longo dos anos. Os encontros semanais acabaram fortalecendo laços entre pessoas de diferentes profissões e idades, que compartilham a mesma paixão pelo esporte.

"Cada vez que a gente vem para cá, esquecemos o mundo lá fora", comenta Pujol.

Para Lídio Curuja, praticante da modalidade há cerca de 40 anos, a motivação permanece a mesma desde o início.

"É sempre o próximo campeonato que vai ser o melhor."

As seleções foram escolhidas com base nos países classificados para a Copa do Mundo de 2026. Em muitos casos, a decisão levou em consideração a ascendência familiar, a identificação cultural ou a tradição da equipe no cenário internacional.

Curuja representa os Estados Unidos nesta edição. Segundo ele, a escolha aconteceu porque a seleção ainda estava disponível no momento da definição das equipes.

"Preferi pegar os Estados Unidos, que era uma seleção que estava sobrando ali. Então, estou representando o Tio Sam."

Novas gerações do futebol de mesa

Apesar da tradição da modalidade, renovar o quadro de praticantes ainda é um dos principais desafios enfrentados pela Associação Washington Luiz. Entre os 21 participantes desta edição da Copa do Mundo, nenhum tem menos de 30 anos.

Segundo Pujol, celulares, videogames e outras formas de entretenimento passaram a disputar a atenção das crianças e adolescentes, tornando mais difícil despertar o interesse pelo futebol de mesa. Ainda assim, a entidade segue incentivando a chegada de novos praticantes.

Curuja destaca que o grupo permanece aberto para receber interessados de qualquer idade.

"A maior parte da nossa turma aqui é o pessoal mais idoso, mas buscamos crianças que queiram jogar também. Não tem problema."

Para Cláudio Mastrangelo, no entanto, o interesse precisa nascer a partir da experiência com o jogo.

"Para criança, não tem coisa melhor do que botar para jogar."

Na avaliação de Mastrangelo, é o contato com a mesa que desperta a curiosidade e faz com que muitos acabem se apaixonando pela modalidade. O dirigente acredita que a prática desenvolve concentração, estratégia e convivência, características que ajudam a explicar por que tantos jogadores permanecem ligados ao esporte durante décadas.

Apesar das dificuldades para atrair novos praticantes, os botonistas seguem otimistas. Mastrangelo destaca que competições nacionais já contam com categorias de base e acredita que ampliar a divulgação do futebol de mesa é o caminho para conquistar novas gerações.

Para eles, preservar a modalidade significa manter viva uma tradição que atravessa décadas, fortalece amizades e faz com que, todas as segundas-feiras, a paixão pelo futebol encontre espaço em torno de uma mesa.

*Sob supervisão de Márcio Gomes