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A partida de 19 de julho de 1966, no Goodison Park, em Liverpool, foi a segunda derrota do Brasil naquela Copa. Era o último compromisso da primeira fase e como a equipe comandanda por Vicente Feola já havia sido derrotada pela Hungria voltou para casa amargando o terceiro lugar de uma chave que tinha quatro integrantes. Veja o vídeo da partida no final da matéria.
No duelo entre dois dos maiores craques de toda a história do futebol, Eusebio saiu-se melhor que Pelé, praticamente caçado em campo. Nascido em Moçambique, o atacante balançou duas vezes as redes de Manga. O jogo terminou 3 a 1 para os lusos, que seguiram em frente e terminaram a Copa na terceira colocação – a melhor de sua seleção portuguesa até hoje.
O Brasil daquele tempo tinha: Gilmar, Manga, Fidélis, Djalma Santos, Belini, Brito, Orlando, Altair, Rildo, Paulo Henrique, Denilson, Zito, Lima, Gérson, Jairzinho, Garrincha, Alcindo, Tostão, Pelé, Silva, Edu e Paraná.
Jogadores revivem partida
Para Manga – e todo o resto do mundo -, o Brasil era o favorito pois era o atual campeão e tinha o melhor jogador do planeta: Pelé. E o resultado, afirma, seria o esperado não fosse a lesão do nosso camisa 10. “Se ele não estivesse machucado, seria diferente. Eles entraram para sacar (tirar) o Pelé e não pudemos dar continuidade ao nosso jogo”, avaliou o goleiro, ao explicar que o outro atacante (Alcindo) já estava no banco por lesão. Como não havia substituição naquela época, o Rei – que saiu apoiado em dois massagistas no primeiro tempo – voltou com a perna enfaixada apenas para marcar presença no campo durante a segunda etapa.
Manga, no entanto, reconheceu que não teve uma boa atuação na partida. “Não joguei bem, muitos não jogaram bem. Enfim, foi 3 a 1 e a gente foi desclassificado”, finalizou. O ex-goleiro da Seleção e do Internacional explica que o moçambicano Eusebio era um bom jogador, mas não o suficiente para comparar seu futebol com o do Rei. O confronto, aliás, serviu para alçar a carreira do craque português, que marcou duas vezes contra a então bicampeã do mundo.
Alcindo concorda. “Ele era bom jogador, mas no Brasil nós só ouvíamos falar de Cruyff e Beckenbauer. Foi uma vitória pessoal dele que, com certeza, contribuiu ainda mais para a sua carreira. O Eusebio foi responsável pela melhor campanha de Portugal”, diz o maior artilheiro da história do Grêmio. Com nove gols, Eusébio foi eleito o "Chuteira de Ouro" do Mundial, que teve a dona da casa como campeã.
O atacante também relembra que, antes do confronto, os portugueses alardeavam que Eusebio era melhor que Pelé. “Por isso a rivalidade". De acordo com ele, a partida, famosa também pelas duras faltas no Rei, foi acirrada como seria hoje um confronto entre Brasil x Argentina.“Tinha muita rivalidade, mas apesar de caçarem Pelé, eles jogaram melhor e mereceram vencer”, admite Alcindo.
O confronto de 2010
Tanto Manga como Alcindo acreditam na Seleção de Dunga. Por isso, não têm dúvidas de que o Brasil vai vencer Portugal na sexta-feira, às 11h. “Todos os jogadores que atuam na Europa sabem como o Cristiano Ronaldo joga e vão usar isso”, explicou o eterno camisa 1 do Inter.
Apesar de talentoso, o português não pode ser comparado ao moçambicano, pois ambos têm características diferentes, diz Alcindo: “Eusebio era mais matador e não tinha tanta mídia como agora. Cristiano é de jogar mais fora da área, tem mais habilidade”. Ainda assim, o ídolo gremista arrisca: “A Seleção vai fazer 2 a 0 em Portugal”.
Lenda portuguesa aposta no Brasil
O próprio Eusebio acredita na vitória da Seleção Brasileira. Em entrevista ao jornal inglês The Guardian, no início do mês, a lenda portuguesa afirmou que comparar os dois países é como comparar Davi a Golias.
Aos 68 anos, o craque diz que na Copa de 1966 Portugal contava com o apoio de jogadores das colônias africanas, Angola e Moçambique, aumentando seu potencial. Sem esses reforços, o ídolo português acredita que comparar o país europeu ao Brasil é impossível, visto que uma nação tem cerca de 191,5 milhões de pessoas e a outra, 10,6 milhões.
Veja a vídeo da partida:
Ficha técnica
Brasil 1
Manga; Fidélis, Brito, Orlando, Rildo; Denílson, Lima; Jairzinho, Silva, Pelé, Paraná. Técnico: Vicente Feola.
Portugal 3
José Pereira; Morais, Batista, Vicente, Hilário; Jaime Graça, Coluna; José Augusto, Eusébio, Torres, Simões. Técnico: Otto Glória.
Gols: Simões 15/1º; Eusébio 36/1º e 40/2º (Portugal), e Rildo 28/2º (Brasil)
Árbitro: George McCabe (Inglaterra)
Local: Goodison Park, em Liverpool
Data: 19 de julho de 1966
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